Fraude bancária digital ganha escala na América Latina
Phishing, vishing, smishing e deepfakes ampliam fraudes bancárias na América Latina, com impactos no Chile, Brasil, México
Na América Latina, fraudes contra contas bancárias já combinam links maliciosos, ligações falsas, SMS enganosos, malware e suplantação com inteligência artificial. Alertas recentes de bancos e veículos no Chile, Brasil, México, Argentina e Venezuela apontam um padrão mais organizado, sustentado por engenharia social.
Fraudes mais comuns
Infobae descreveu que, na América Latina, as táticas mais usadas para esvaziar contas bancárias incluem phishing com links maliciosos, falsificação de identidade de bancos por meio de ligações e mensagens, aplicativos falsos para capturar credenciais e malware com ferramentas de acesso remoto para assumir o controle dos dispositivos das vítimas.
A mesma publicação alerta que um único clique em um link ou arquivo malicioso pode abrir caminho para o roubo de credenciais, a instalação de malware e a captura de códigos de autenticação em dois fatores, o que permite aos atacantes acessar contas bancárias.
Engenharia social, agora com escala regional
No Chile, bancos emitiram alerta sobre o avanço do vishing, modalidade em que cibercriminosos ligam para usuários fingindo ser executivos de banco, suporte técnico ou policiais para roubar senhas e chaves de transferência. El Mostrador afirma ainda que esse golpe se torna mais eficaz quando explora dados pessoais vazados anteriormente na internet para ganhar confiança.
A norma de segurança citada pelo veículo indica que os bancos nunca vão solicitar por telefone chaves secretas, senhas de transferência, códigos de cartões de coordenadas ou validação de operações no aplicativo enquanto o cliente estiver em ligação. Qualquer pedido desse tipo deve ser tratado como indício de fraude. O texto também lembra que, sob a Lei de Fraudes no Chile, as instituições financeiras precisam manter canais de bloqueio 24/7 para cartões e acessos digitais, receber reclamações formais por extravio, roubo ou fraude e respeitar os prazos legais de resposta e eventual restituição de valores.
A CronUp, por sua vez, alertou para uma campanha massiva de smishing no Chile, que se espalha por meio de SMS com links para sites fraudulentos que se passam por órgãos públicos e entidades financeiras. A operação incorpora novos domínios de forma contínua e busca obter informações pessoais e financeiras por meio de engenharia social.
Brasil e a passagem para estruturas criminosas
A Evertec Trends descreve que, no Brasil, as fraudes financeiras deixaram de ser cometidas principalmente por indivíduos isolados e passaram para as mãos de organizações criminosas altamente estruturadas, com divisão de funções entre especialistas em engenharia social, desenvolvimento de malware, lavagem de dinheiro, abertura de contas de passagem e produção de documentos falsos.
Essa análise também aponta que o avanço do open banking e do compartilhamento consentido de dados financeiros está sendo explorado por agentes maliciosos que simulam consentimentos, sequestram sessões de autenticação ou usam engenharia social para convencer clientes a autorizar acessos indevidos. Segundo o relatório, o risco deixou de se concentrar na tecnologia e passou a recair sobre a manipulação do comportamento humano.
O mesmo estudo documenta fraudes de identidade que incluem fraude sintética, com combinação de dados reais e fictícios, e o uso de selfies manipuladas por IA, ou deepfakes, para burlar a biometria facial em processos de onboarding digital e verificação de identidade em bancos e fintechs.
Argentina, México e outros sinais de alerta
Um relatório de Mercado, com base nos levantamentos da Sumsub e da BioCatch, aponta que na América Latina os fraudes avançados com identidades geradas por IA cresceram 180%, enquanto as estafas por engenharia social associadas à fraude bancária digital avançaram 155%.
Na Argentina, mesmo com queda de 20% no volume geral de incidentes, os golpes ficaram mais perigosos: as estafas de engenharia social cresceram 183% e o uso de deepfakes de identidade subiu 66%, pressionando os controles de identidade digital de bancos e fintechs locais. Outro alerta divulgado pela imprensa argentina, com recomendações de Argentina.gob.ar, aponta uma nova modalidade em que o home banking é bloqueado e depois ocorre uma ligação fingindo ser do banco. A orientação oficial é desligar e entrar em contato pelos canais oficiais, sem informar usuário, senha, PIN, token ou códigos recebidos por mensagem durante a chamada.
No México, o NoticiasNeo informou que o phishing cresceu 202% e detalhou sete evidências digitais que valem ser preservadas para uma denúncia eficaz, entre elas o e-mail ou mensagem original com os cabeçalhos completos, a URL do site fraudulento, capturas de tela, registros de chamadas com engenharia social e comprovantes de transferências.
Mais casos na região
A Vanguardia registrou 866 denúncias recentes de fraude cibernética em Bucaramanga, na Colômbia, e recomendou proteger credenciais com senhas fortes e autenticação multifator, além de desconfiar de mensagens com senso de urgência e verificar remetentes, domínios e URLs antes de clicar ou entregar informações.
Elonce descreveu que as estafas digitais evoluíram para esquemas complexos nos quais gangues criminosas usam inteligência artificial, engenharia social, campanhas em redes sociais e estruturas financeiras para dificultar o rastreamento do dinheiro. Na Venezuela, a IP Media Group, citando a ESET, alertou para falsas campanhas de arrecadação e páginas de doação que chegam a recorrer à IA para gerar notícias ou vídeos de supostas vítimas, com o objetivo de explorar a urgência emocional e obter dados financeiros ou doações fraudulentas.
A ConAcento, no México, também reproduziu a explicação de um especialista em cibersegurança que descreveu essas fraudes como operações de organizações criminosas com estruturas definidas, em que diferentes membros captam vítimas, desenvolvem a engenharia social, exploram IA para suplantar identidades e depois lavam o dinheiro.
O BBVA México, em seu guia de prevenção a fraudes digitais, insiste que os criminosos aproveitam a urgência para fazer o usuário entregar informações de forma voluntária. O banco afirma que nunca solicita senhas por ligações, mensagens ou e-mails, recomenda encerrar a comunicação, verificar pelos canais oficiais e usar funções como "Apagar tarjeta" junto com a troca imediata de senhas após um incidente.
Fontes
- Tendencias del fraude bancario digital en LATAM 2023biocatch.com· BioCatch
- El fraude bancario en Latam se dispara: Los intentos de estafa crecen un 155%ebankingnews.com· eBankingNews
- Fraude en LATAM: Nuevas Regulaciones que Debes Conoceryoutube.com· YouTube / canal no especificado
- Phishing en México crece 202%: qué evidencia digital preservar para denuncias efectivasnoticiasneo.com· NoticiasNeo
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- O que fazer em caso de fraude bancária para recuperar o dinheiroserasa.com.br· Serasa
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