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Brasil fortalece a ANPD e aperta a LGPD

A ANPD ganhou novas atribuições, criou carreira própria e avança com sanções, cooperação internacional e fiscalização mais rígida.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IA4 de ago. de 20263 min de leitura

A ANPD passa por uma fase de consolidação institucional no Brasil. A agência ganhou carreira própria de especialistas, ampliou sua cooperação internacional, encerrou um monitoramento sobre encarregados de proteção de dados e firmou um acordo com a ANA para coordenar a proteção de dados pessoais em água e saneamento.

A ANPD vive um processo de consolidação institucional que vem reforçando seu papel como regulador central da proteção de dados no Brasil. Entre as mudanças mais recentes está a transformação formal em agência reguladora federal, com carreira própria de especialistas em regulação e proteção de dados, criada pela Medida Provisória 1.315/2025.

Mais capacidade de fiscalização

A nova carreira abre caminho para concursos de ao menos 50 especialistas e vem acompanhada de autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira. A medida busca ampliar a capacidade operacional da autoridade para fiscalizar o cumprimento da LGPD, além do que já estava previsto na Lei 15.352/2026.

Em paralelo, a ANPD concluiu em 2026 a primeira fase de um monitoramento específico sobre uma obrigação central de governança interna, a indicação do Encarregado de Proteção de Dados e a manutenção de canais de comunicação com os titulares. Foram 56 agentes monitorizados e 21 ficaram sujeitos à possível abertura de processo administrativo sancionador por falta de resposta. O dado mostra que o foco da fiscalização já não se limita a incidentes de segurança ou vazamentos, mas também ao cumprimento estrutural das obrigações impostas pela LGPD.

Cooperação internacional e controle setorial

A expansão do papel da ANPD também aparece fora do país. A autoridade foi aceita como integrante da Global Online Safety Regulators Network, tornando-se a primeira autoridade reguladora da América do Sul nessa rede internacional de cooperação sobre segurança no ambiente online. O passo reforça sua dimensão internacional em proteção de dados e em segurança digital ligada, entre outros pontos, ao cumprimento do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

Ao mesmo tempo, a ANPD assinou em julho de 2026 o Acordo de Cooperação Técnica nº 4/2026 com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico. O convênio, publicado no Diário Oficial da União, prevê troca de informações e coordenação em proteção de dados pessoais nos setores de recursos hídricos e saneamento básico. Também consolida a ANPD como autoridade setorial transversal com capacidade para aplicar sanções quando o tratamento de dados não cumprir a LGPD.

Impacto no cumprimento

O reforço institucional chega em um momento sensível para a governança da agência. Embora esteja prevista a saída do presidente Waldemar Gonçalves Ortunho Júnior em novembro de 2026 e o fim do mandato da diretora Miriam Wimmer em dezembro de 2026, análises especializadas avaliam que as novas responsabilidades e o fortalecimento estrutural podem sustentar a atuação regulatória e sancionadora por meio de designações temporárias, sem que a vacância na liderança interrompa a fiscalização.

Nesse contexto, a ANPD aparece cada vez mais integrada a um esquema de controle mais amplo, com maior capacidade para cobrar cumprimento interno, coordenar-se com outras autoridades e ganhar projeção em instâncias internacionais.

Fontes

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