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Argentina: IA alimenta fraudes com deepfakes

Vozes e rostos sintéticos, vishing bancário e falta de protocolos para detectar deepfakes já compõem o cenário na Argentina.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:3 min de leitura

Fraudes que usam vozes e rostos de famosos, além de golpes bancários por vishing, já recorrem à inteligência artificial na Argentina. Ao mesmo tempo, levantamentos citados por Turing Magazine e La Nación apontam um vácuo operacional, sem protocolos formais nem ferramentas amplamente adotadas para detectar deepfakes e a desinformação gerada por IA.

A inteligência artificial já aparece em fraudes concretas na Argentina, desde golpes bancários por vishing até esquemas que combinam vozes e rostos sintéticos de pessoas famosas com supostos selos de veículos de imprensa reconhecidos para empurrar investimentos falsos. Ao mesmo tempo, autoridades eleitorais e órgãos consultados em diferentes levantamentos ainda não têm protocolos formais para detectar deepfakes ou monitorar de forma sistemática a desinformação gerada por IA.

Fraudes com identidade sintética

Infobae descreveu uma nova modalidade de fraude em que criminosos usam inteligência artificial para imitar vozes e rostos de famosos. O golpe é completado com peças visuais que parecem vir de meios de comunicação reconhecidos, com o objetivo de promover investimentos falsos. Segundo a cobertura, as vítimas acabam transferindo dinheiro convencidas da autenticidade da mensagem e, na maioria dos casos, não recuperam o valor perdido.

O mecanismo se encaixa em uma tendência mais ampla de suplantação digital, em que o valor do conteúdo já não depende só de uma imagem ou de um áudio convincente, mas da capacidade de fazer esse material passar por uma fonte confiável. Nesse caso, a combinação de identidade sintética e selos jornalísticos busca reforçar a credibilidade da fraude e acelerar a transferência de fundos.

Vishing bancário e bloqueio do home banking

Mendoza Viva informou sobre outra modalidade de golpe bancário na Argentina baseada em vishing. O esquema começa com o bloqueio do home banking da vítima e continua com uma ligação em que os criminosos se passam pelo banco para pedir credenciais. A cobertura esclarece que o bloqueio pode ser real, mas a identidade do suposto atendente é falsa.

As recomendações oficiais citadas pelo veículo orientam a encerrar a chamada e entrar em contato com a instituição por canais oficiais. Também alertam para não informar usuário, senha, PIN, token nem códigos recebidos por mensagem. Nesse tipo de caso, a suplantação de identidade ocorre em tempo real e aproveita a urgência provocada pelo acesso bloqueado à conta.

Sem protocolos claros para deepfakes

Em paralelo, Turing Magazine citou um relatório da IDEA Internacional segundo o qual autoridades eleitorais de vários países latino-americanos, incluindo a Argentina, incorporaram chatbots para atendimento ao cidadão. Ainda assim, praticamente não existem protocolos formais para detectar deepfakes ou para monitorar de forma sistemática a desinformação gerada por IA em processos eleitorais.

La Nación, por sua vez, divulgou um estudo da Defensoria do Povo da Cidade de Buenos Aires feito com 912 estudantes entre 12 e 19 anos. Nele, só 1% disse ter sido vítima direta de deepfakes, mas 13% afirmou conhecer casos no próprio ambiente escolar. A mesma reportagem aponta que especialistas em cibersegurança e regulação alertam para a falta de ferramentas acessíveis e de protocolos claros para verificar a autenticidade de conteúdos digitais, e que as soluções comerciais de detecção ainda não se massificaram no país.

Esse vazio deixa usuários, escolas e órgãos públicos com poucas ferramentas operacionais diante de conteúdos manipulados, tanto em campanhas de fraude quanto em ambientes eleitorais e educacionais.

Fontes

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