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Ransomware na América Latina mira saúde

Kazu, Qilin e outras bandas ampliam ataques na América Latina, com vítimas em saúde, governo e serviços corporativos.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:Atualizado 2 min de leitura

A atividade recente de ransomware na América Latina mostra um mapa mais amplo de vítimas e táticas. A Flare detectou que a Kazu, surgida em meados de 2025, saiu do foco em governo e setor público para incluir publicações de vítimas da saúde na região, depois de um ataque inicial a um provedor de telemedicina italiano.

A Flare detectou que a Kazu, gangue de ransomware e extorsão surgida em meados de 2025, deixou de se concentrar principalmente em alvos de governo e setor público e passou a publicar novos casos ligados à saúde na América Latina. Isso ocorreu depois de um ataque inicial contra um provedor italiano de telemedicina. Em paralelo, Pulse e outros relatórios apontam reclamações de Qilin, Deadlock, TheGentlemen, Incransom, Akira, MedusaLocker, DragonForce e Play no Brasil, no México e na Costa Rica, com impactos também reportados na Ecopetrol e em organizações da Colômbia e do México.

Quais setores aparecem mais expostos na região?

No levantamento da Flare, o governo segue como o principal grupo de vítimas atribuído à Kazu, enquanto a saúde ocupa o segundo lugar entre as verticais mais afetadas. O trabalho se baseou em 848 registros coletados em sites de ransomware, fóruns de hackers e plataformas de mensagens.

Esse foco em saúde também aparece no ESET Security Report 2026, baseado em pesquisas com 1.563 profissionais de 962 organizações em 10 países da América Latina. O relatório diz que 52,7% das empresas sofreram ao menos uma tentativa de ciberataque nos últimos 12 meses e que a categoria de infecção por malware, que inclui ransomware, atinge especialmente o setor de saúde, onde 52,9% das organizações declarou incidentes por essa via.

Quais táticas observadas se repetem na região?

À pressão sobre a saúde somam-se técnicas que os pesquisadores descrevem como cada vez mais visíveis na região. Especialistas alertaram sobre ataques de ransomware em organizações da Colômbia e do México nos quais os invasores usaram impressoras corporativas das vítimas para imprimir notas de resgate depois de criptografar sistemas com BitLocker. A TrendTIC descreveu esse comportamento como uma tática crescente na América Latina, embora não tenha atribuído publicamente esses casos a um grupo específico.

O painel Ransomware Wing do Pulse também coloca Brasil e México entre os países com maior número de vítimas reivindicadas por grupos de ransomware. Na América Latina, os setores mais afetados incluem serviços empresariais, saúde, manufatura, tecnologia, serviços ao consumidor, agricultura e setor público.

Quais grupos e reclamações seguem sob acompanhamento?

A Devel Group informou em 22 de julho de 2026 uma publicação da Qilin na qual o grupo reivindicou um suposto ataque de extorsão contra uma empresa de serviços profissionais na Costa Rica, dentro de um esquema de Ransomware-as-a-Service e dupla extorsão. O incidente segue sem confirmação oficial por parte da vítima.

O Pulse também registra reclamações associadas a grupos como Deadlock, TheGentlemen, Qilin, Incransom, Akira, MedusaLocker, DragonForce e Play no Brasil e no México, embora sua base seja alimentada por sites de vazamento e nem sempre implique confirmação independente de cada incidente.

Em paralelo, a Kaseya e veículos regionais registraram que a Ecopetrol, principal petroleira da Colômbia, confirmou um ataque de ransomware que resultou no vazamento de dados de 3.300 contas de usuário. Nesse caso, os invasores não conseguiram criptografar os sistemas nem interromper operações, e a extorsão se apoiou mais no roubo de informações do que em um impacto direto sobre a continuidade do negócio.

Fontes

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