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Brasil concentra ransomware em saúde

Brasil respondeu por 51% dos casos de ransomware em saúde na América Latina e ganhou mais uma vítima em um prestador hospitalar.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IA28 de jul. de 20263 min de leitura

Global Secret Group, uma organização de saúde no Brasil, aparece como nova vítima no ransomware.live, com incidente descoberto em 26 de julho de 2026. O caso surge dias depois de levantamentos apontarem o país como epicentro regional do ransomware em saúde, com 51% das ocorrências na América Latina.

O projeto ransomware.live registrou no Brasil a Global Secret Group, organização do setor de Hospitals & Clinics, como vítima de ransomware. O incidente foi descoberto em 26 de julho de 2026. O novo caso reforça a sequência de ataques contra prestadores de saúde brasileiros, em um cenário de pressão contínua sobre hospitais, clínicas e outros atores do sistema sanitário.

Brasil sob pressão constante

O Portal Information Management apontou em 2026 o Brasil como epicentro do ransomware em saúde na América Latina, com 51% das ocorrências do setor na região. O mesmo levantamento colocou o país entre os três maiores alvos globais do segmento, com base em dados de estudos da PwC e de outros relatórios citados pelo veículo.

A análise associou a expansão do problema à proliferação de IA generativa e chatbots sem governança, ao tráfego de dados médicos por plataformas sem criptografia e a erros básicos de configuração em serviços de nuvem. A leitura do relatório é que parte relevante do risco atual no setor vem de falhas operacionais e de gestão, mais do que de técnicas de ataque altamente sofisticadas.

Mais vítimas, mais custo

A Cafe com Bytes reforçou esse diagnóstico ao informar que o Brasil responde por 51% das ocorrências de ransomware no setor de saúde na América Latina. O mesmo veículo acrescentou que a saúde representa 10,4% das vítimas de ransomware no Brasil e que, em 2026, LockBit 5 e TheGentlemen lideram a atividade no país, com 13 vítimas cada um. O texto também destacou que o mercado criminoso está fragmentado, com outros grupos como Incransom e CoinbaseCartel avançando.

No campo financeiro, a Cafe com Bytes citou que o setor de saúde brasileiro registra o maior custo médio por violação de dados entre os segmentos analisados, com R$ 11,43 milhões por incidente, segundo o relatório Cost of a Data Breach, da IBM. No mesmo material, o custo médio de uma violação de dados no Brasil foi estimado em R$ 7,19 milhões, com alta de 6,5% na comparação anual.

Um volume de ataques que já era alto

O sindicato SINDPD deu um contexto mais amplo ao afirmar que instituições de saúde brasileiras sofreram, em média, 3.167 ataques por semana em 2025, cerca de 37% acima da média mundial do setor. O sindicato também disse que a saúde lidera o ranking global de ataques cibernéticos, à frente dos setores financeiro e de consumo.

Segundo o mesmo levantamento, no primeiro semestre de 2025 o setor de saúde brasileiro registrou mais de 11 mil violações de segurança, a maioria considerada efetiva e uma parcela relevante classificada como de alta gravidade. O quadro descrito por esses dados é de uma superfície de ataque extensa, em que o ransomware convive com um fluxo elevado de intrusões e brechas.

A G1 acrescentou outro indicador do tamanho do ecossistema de ameaças no Brasil ao reportar, com dados da Fortinet, 753,8 bilhões de tentativas de ataques digitais em 2025 e mais de 187 milhões de ocorrências de programas maliciosos. Nesse ambiente, ataques contra hospitais, clínicas e fornecedores do sistema de saúde encontram um terreno já pressionado por múltiplos vetores.

Marco regulatório e atores em foco

O Portal Information Management também trouxe o recorte regulatório ao informar que a Lei nº 15.352/2026 transformou a ANPD em autarquia de natureza especial, com poderes ampliados de fiscalização sobre dados sensíveis, inclusive os de saúde. Além disso, a Resolução CFM nº 2.454/2026 estabeleceu o primeiro marco brasileiro sobre o uso de inteligência artificial na medicina, com vigência a partir de agosto, em resposta à escalada de incidentes e ao risco de uso de IA sem governança no setor.

Em paralelo, a Flare.io identificou a TheGentlemen entre os grupos que atacam organizações de saúde e fornecedores do ecossistema sanitário. A análise, focada em EMEA, descreveu uma dinâmica que alcança toda a cadeia de suprimentos da saúde, incluindo fornecedores de software, clínicas, laboratórios e hospitais, e que monetiza dados vazados por meio de leak sites e fraudes secundárias. O padrão coincide com a pressão observada no Brasil sobre fornecedores como MedicSolution e clínicas privadas.

Fontes

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