Chile, Brasil e Paraguai avançam em leis de IA
Chile aprova projeto contra deepfakes e Brasil, Paraguai e México avançam em regras sobre IA, privacidade e proteção de dados.
Chile aprovou em geral seu projeto de lei contra deepfakes e pediu a volta do texto à comissão. Ao mesmo tempo, o governo quer adiar a vigência da lei de dados pessoais.
Chile abriu a semana com dois movimentos legislativos sobre dados e inteligência artificial. A Câmara dos Deputados aprovou em geral o projeto conhecido como lei antideepfakes e o devolveu à Comissão de Futuro, Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação. Ao mesmo tempo, o governo apresentou uma iniciativa para adiar em um ano a entrada em vigor geral da Lei N.º 21.719, de proteção de dados pessoais.
O que muda com a lei antideepfakes no Chile?
A proposta chilena regula conteúdos gerados com inteligência artificial, obriga a rotular esse material, fixa prazo máximo de 72 horas para retirada após denúncias e exige que as plataformas tenham representante legal no Chile. A fiscalização ficaria sob responsabilidade da futura Agência de Proteção de Dados Pessoais.
Segundo G5Noticias e Mundo en Línea, o projeto foi aprovado em geral com 128 votos a favor, 2 contra e 5 abstenções. O texto também cria um novo direito de integridade digital, que protege imagem, corpo e voz, inclusive após a morte, e prevê multas de entre 5.000 e 10.000 UTM para infrações. A tramitação segue na comissão.
O que o governo chileno quer adiar?
O Executivo enviou ao Congresso o boletim 18.623-07 para mudar de 1º de dezembro de 2026 para 1º de dezembro de 2027 a entrada em vigor geral da Lei N.º 21.719 sobre proteção e tratamento de dados pessoais. O adiamento ainda depende de aprovação parlamentar e publicação no Diário Oficial.
Essa lei reconhece direitos de acesso, retificação, exclusão, oposição, portabilidade e bloqueio de dados pessoais. A mudança abre mais um ano de preparação para os sujeitos obrigados e para a futura implementação do marco regulatório.
Como anda a frente digital no Equador e no México?
No Equador, a Assembleia Nacional analisa reformas à Lei Orgânica de Gestão da Identidade e Dados Civis e à Lei do Sistema Nacional de Registro de Dados Públicos. O relatório para o primeiro debate foi aprovado por unanimidade na Comissão de Justiça e Estrutura do Estado, com garantias para a proteção de dados pessoais ligadas à carteira física e digital.
As reformas buscam dar à carteira digital o mesmo valor jurídico da física e obrigam instituições públicas e privadas a aceitar os dois formatos. No México, a Câmara dos Deputados aprovou um parecer sobre proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais, com foco em cyberbullying, violência digital e proteção de dados pessoais, e o enviou ao Senado, onde ainda aguarda decisão.
O que está acontecendo com Paraguai e Brasil?
No Paraguai, o Senado discute um projeto de Lei de Proteção de Infraestrutura Crítica apresentado pelo senador José Oviedo. A proposta busca identificar, proteger e fortalecer a resiliência de serviços cuja interrupção possa comprometer a segurança nacional, a continuidade operacional e o bem-estar da população.
O texto atribui ao Codena a proteção das infraestruturas críticas físicas e ao Mitic a da infraestrutura tecnológica. Também estabelece que as medidas deverão respeitar direitos e garantias fundamentais e, se envolverem tratamento de dados pessoais, seguir a legislação vigente. Em paralelo, a Lei N.º 7593/2025 de proteção de dados pessoais já foi promulgada e publicada em 27 de novembro de 2025, cria uma Agência Nacional de Proteção de Dados Pessoais dentro do Mitic e prevê multas que podem chegar a dez mil jornales mínimos.
O Brasil mantém em tramitação o PL 2338/2023 sobre inteligência artificial, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e enviado à Câmara em março de 2025, onde aguarda parecer do relator. O texto busca regular o uso de sistemas de IA e alinhar a proposta à LGPD e à abordagem de risco da União Europeia.
Quais outras regras já estão em vigor no Brasil?
A Lei n.º 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, entrou em vigor em 17 de março de 2026 e já impõe obrigações a redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos, plataformas de vídeo, lojas de apps e outros serviços tecnológicos. Entre as exigências estão verificação de idade, supervisão parental, privacidade reforçada por padrão e restrições à publicidade direcionada e a funções viciantes para menores.
Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que decretos regulamentares consolidaram a ANPD como autoridade reguladora com autonomia funcional, técnica, administrativa e financeira no âmbito da proteção de dados de menores. O mesmo comunicado mencionou a criação de uma política nacional para os direitos de crianças e adolescentes no ambiente digital e de um centro nacional na Polícia Federal.
No Congresso brasileiro também foi apresentado um projeto de lei para reclassificar dados de perfilamento em redes sociais como dados pessoais sensíveis, exigir consentimento expresso para criar perfis comportamentais, proibir o uso de interesse legítimo como base e vetar a venda ou o compartilhamento desses dados com terceiros para obter vantagem econômica. A proposta, de Fernanda Melchionna, ainda não foi votada.
O que foi arquivado no Equador?
A Assembleia Nacional arquivou um projeto que regulava o uso da inteligência artificial e unificava várias propostas apresentadas entre 2024 e 2025, tomando como referência a lei europeia de IA. O texto previa classificar ferramentas por nível de risco, proibir práticas perigosas, impor auditorias obrigatórias e definir regras para o uso de dados pessoais no treinamento de modelos generativos.
Também previa o MINTEL como órgão rector, a Superintendência de Proteção de Dados Pessoais com poder sancionador e um Conselho Nacional de Ética e Governança Algorítmica. Segundo a cobertura citada, a proposta foi descartada por entender que violava o artigo 135 da Constituição ao implicar aumento de gasto público sem iniciativa presidencial.
Fontes
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- En la Asamblea se plantean leyes para garantizar la validez de la cédula física y digital en Ecuadorecuavisa.com· EcuavisaURL não verificada



