Bolívia define regras para ativos virtuais
País avança com marco para criptoativos sob o FMI, coloca a ASFI na supervisão e detalha os PSAV no Decreto 5384.
Bolívia já definiu, por meio do Decreto Supremo 5384, um marco que reconhece blockchain, ativos tokenizados e ativos virtuais, e obriga os provedores de serviços de ativos virtuais a se constituírem e obterem autorização sob supervisão da ASFI. Em paralelo, o governo mantém o compromisso com o FMI para desenvolver um regime robusto de supervisão cripto e a UIF ampliou exigências para auditores e contadores.
Atualização 20 de setembro de 2026: A Bolívia incorporou o Decreto Supremo N.º 5384, que reconhece soluções baseadas em blockchain, ativos tokenizados e ativos virtuais, e coloca os Provedores de Serviços de Ativos Virtuais sob supervisão da ASFI. Além disso, a UIF detalhou como os profissionais alcançados pela Resolução Administrativa N.º 075-2026 devem verificar sua condição de sujeitos obrigados.
A Bolívia se comprometeu perante o Fundo Monetário Internacional a criar um marco regulatório e de supervisão robusto para criptomoedas e ativos virtuais, com o objetivo de reduzir riscos de saídas ilícitas de capital e reforçar a resiliência financeira. O novo arranjo agora se soma ao Decreto Supremo N.º 5384, que reconhece expressamente essas tecnologias e determina que os PSAV devem se constituir e obter autorização sob supervisão da ASFI.
O que a Bolívia pediu no acordo com o FMI?
A Bolívia aceitou desenvolver um marco robusto para regular e supervisionar ativos virtuais, segundo documentos ligados ao FMI e reportagens especializadas. O compromisso aparece em um memorando de política econômica e financeira enviado ao organismo, embora ainda não tenha sido informado se esse esquema sairá por lei, decreto supremo ou norma administrativa.
A formulação divulgada por crypto.news e Odaily aponta para um objetivo específico, evitar que o uso de criptoativos facilite saídas de capital fora dos canais tradicionais. No entanto, os materiais revisados não definem cronograma de implementação nem a autoridade que ficará formalmente responsável.
Coberturas posteriores também situam esse compromisso dentro de um programa ampliado de 36 meses, sob uma facilidade de fundos estendidos de 13,69 milhões de direitos especiais de saque, equivalente a cerca de 1,9 bilhão de dólares, ainda pendente de aprovação pelo Congresso boliviano e pelo Diretório Executivo do FMI.
O que muda com o Decreto Supremo N.º 5384?
O Decreto Supremo N.º 5384 reconhece de forma expressa soluções baseadas em blockchain, ativos tokenizados, ativos virtuais e a figura dos Provedores de Serviços de Ativos Virtuais, ou PSAV. A norma determina que essas empresas devem se constituir e obter autorização de funcionamento conforme o regime correspondente, sob supervisão da ASFI.
Segundo o desenvolvimento normativo citado por Carlos Maiz, a definição de PSAV é ampla. Ela inclui a troca entre ativos virtuais e moedas fiduciárias, a troca entre diferentes ativos virtuais, as transferências, a custódia e certos serviços financeiros ligados à oferta ou venda de ativos virtuais.
Esse alcance coloca plataformas e operadores tecnológicos dentro de um perímetro regulatório muito mais claro do que o que existia quando o governo falava apenas em um marco futuro. Também se alinha às coberturas internacionais que descrevem a guinada boliviana como uma reversão explícita da proibição geral anterior sobre criptomoedas.
Que papel a ASFI teria nesse esquema?
A Autoridade de Supervisão do Sistema Financeiro, ASFI, foi citada por um vice-ministro da área econômica boliviana como um ator central para a supervisão financeira dentro do acordo com o FMI. Morales disse que a entidade "terá um papel fundamental" em tarefas de avaliação e acompanhamento do sistema financeiro.
Essa indicação reforça a ideia de que a arquitetura de controle não ficaria concentrada em um único órgão político, mas apoiada nos reguladores financeiros já existentes. A supervisão dos PSAV sob o Decreto Supremo N.º 5384 confirma ainda que a ASFI já tem um ancoragem operacional na matéria.
Em setembro de 2026, a própria ASFI também determinou que entidades de intermediação financeira que realizaram cobranças excessivas na venda de dólares devolvessem em 15 dias úteis administrativos a diferença entre a cotação oficial e a paralela. A medida incluiu a obrigação de contatar proativamente os clientes afetados e permitiu reclamação em segunda instância junto à própria ASFI.
Como o mercado cripto está se movendo na Bolívia?
Diferentes levantamentos descrevem um sistema financeiro cada vez mais exposto ao uso de ativos digitais, especialmente para pagamentos transfronteiriços e remessas. Uma análise regional indica que, após a suspensão da proibição geral de criptoativos em 2024, nos 12 meses seguintes teriam sido registradas cerca de 14,8 bilhões de dólares em transações com criptoativos, impulsionadas pela escassez de dólares e pela necessidade de alternativas de pagamento.
O mesmo relatório sustenta que, em abril de 2026, o Banco Unión, por meio da carteira Yasta, e o Banco FIE, via seu aplicativo móvel, já ofereciam compra e venda de USDT. A operação era voltada a pagamentos internacionais e remessas, enquanto o Ministério da Economia avaliava reconhecer o USDT como instrumento de pagamento que circularia junto com o boliviano e o dólar, sujeito a salvaguardas contra a lavagem de dinheiro.
Na mesma linha, o The Rio Times informou que o Banco Central da Bolívia registrou crescimento significativo no uso de ativos digitais para pagamentos transfronteiriços desde 2024 e destacou o Banco BISA como uma das instituições mais ativas nesse segmento.
O que muda para a UIF e os sujeitos obrigados?
A Unidade de Investigações Financeiras da Bolívia já vem ampliando as obrigações de reporte para atividades e profissões não financeiras designadas, conhecidas como APNFD. A Resolução Administrativa N.º 075-2026 obriga determinados auditores e contadores a identificar, analisar e reportar operações suspeitas por meio da plataforma CARONTE V2.
La Razón e uma análise jurídica da Rojas Law Firm concordam que o alcance não é automático para todo o setor. A obrigação se aplica sobretudo a quem presta serviços a Grandes Contribuintes ou atua em atividades imobiliárias, gestão de ativos, estruturação corporativa e auditorias em grande escala. Para outros profissionais, a verificação do status deve ser feita pelo NIT no portal oficial da UIF.
Orientações práticas posteriores esclareceram que advogados, contadores e outros APNFD devem verificar ativamente no site da UIF se seu NIT, ou o da sociedade profissional, consta na "Delimitación del Universo" de sujeitos obrigados. Esse passo define se devem operar com a CARONTE V2 e reforça o componente tecnológico e de registro do regime.
Esse marco já posiciona a UIF como um ator operacional na supervisão financeira local, em paralelo ao eventual regime para ativos virtuais que a Bolívia diz que implementará dentro das reformas acertadas com o FMI.
Fontes
- Criptomonedas en Bolivia – Carlos Maizcarlosmaiz.com· Carlos Maiz (blog jurídico, citando normativa boliviana)
- Bolivia Pledges to Establish a Virtual Asset Regulatory Framework to Prevent Capital Outflows Through Crypto Marketsodaily.news· Odaily
- Stablecoin Regulation in Latin America: Brazil, Mexico, ...stablecoininsider.org· Stablecoin Insider
- La UIF deja de esperar: el registro de abogados, contadores e ...rojas-lawfirm.com· Rojas Law Firm
- Cámara de Diputados de Bolivia aprueba el acuerdo con el FMI por 1.900 millones de dólaresabc.com.py· ABC Color
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- Morales: ASFI jugará un rol fundamental en supervisión financiera por acuerdo con FMIeju.tv· eju.tv
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- Devolución de cobros elevados será en 15 díaslaprensa.bo· La Prensa (Bolivia)
- The International Monetary Fund pushes Bolivia towards tightening oversight on cryptocurrenciesarabictrader.com· Arabic TraderURL não verificada
- Bolivia Commits To Crypto Oversight Under IMF Program Amid USDT Adoptiononebullex.com· OneBullex
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- Bolivia Commits to Crypto Regulation Under $1.9B IMF Programphemex.com· Phemex
- Morales: ASFI será clave en supervisión financiera por acuerdo con FMIlarazon.bo· La Razón (Bolivia)
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