CiberLATAMbywhalemate
Relatório de inteligência7 de ago. de 202626 min de leitura

Atividade de ransomware na América Latina, julho de 2026

Julho terminou com forte pressão de ransomware na LATAM, com Brasil e Argentina na frente e novos casos confirmados na Bolívia.

Atividade de ransomware na América Latina, julho de 2026whalemateA plataforma para gerenciar o risco humano em cibersegurança.

Principais conclusões

Módulos mensais de referência

Estes módulos são preenchidos automaticamente com os fatos verificados e datados dentro do período. Cada um informa sua base e seu critério de contagem, para que os números sejam reconciliados entre os módulos. Trata-se da leitura recorrente mês a mês; a análise posterior desenvolve os casos sem repetir este resumo.

Janela dos indicadores: 248 fatos datados em julho de 2026 · 26 sem data confirmada (excluídos dos indicadores). Os fatos de meses anteriores são usados apenas como contexto comparativo na análise, nunca como volume deste período.

CIBERLATAM / WHALEMATE Painel mensal de sinal verificado julho 2026 · América Latina Ameaça predominante: Ransomware (162 de 241 fatos). Cobertura: 248 fatos com data em julho 2026 · 26 sem data co… FATOS VERIFICADOS 241 base do período: toda contagem abaixo é medido sobre este total RANSOMWARE / EXTORSÃO 162 21 dados criptografados confirmado · 8 exfiltração sem criptografia (extorsão simples) INCIDENTES SEM TIPIFICAÇÃO 46 falhas ou interrupções sem tipo de ameaça declarado FRAUDE / PHISHING 7 campanhas de fraude documentadas REGULAÇÃO 3 normas, resoluções ou sanções CVEs ÚNICOS 1 CVE-2023-20269
Painel mensal de sinal verificado — Base: 241 fatos verificados com data no período para a América Latina.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição por eixo de ameaça julho de 2026 · América Latina Cada fato conta em apenas um eixo, por isso a soma é exatamente 241. "Incidentes sem tipificação" é o residual. Ransomware 162 Incidentes 46 Sem classificação 20 Fraude 7 Vulnerabilidades 3 Regulamentação 3
Distribuição por eixo de ameaça — Cada fato é atribuído a um único eixo conforme sua tipificação; a soma fecha com os 241 fatos do período.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição setorial do sinal julho de 2026 · América Latina Base: 241 fatos do período · soma 300 porque 49 fatos se classificam em mais de um setor. Setor público / OIV 92 Outros / sem setor ident… 88 Saúde 61 Telecom 21 Tecnologia 17 Energia 9 Finanças 8 Varejo / consumo 4
Distribuição setorial do sinal — Classificação heurística por setor da vítima. Um fato pode atingir mais de um setor, por isso a soma pode superar a base.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição geográfica do sinal julho de 2026 · América Latina Cada fato é atribuído a um único país ou a cobertura regional, por isso a soma é exatamente 240 de 241 fatos … Brasil 90 USA 44 México 40 Colômbia 20 Regional 16 Argentina 15 Peru 10 Uruguai 3 Bolívia 2
Distribuição geográfica do sinal — Fatos verificados do período agrupados por país ou cobertura regional; cada fato conta uma única vez.

Resumo executivo do mês

Julho de 2026 mostrou pressão contínua e visível de ransomware sobre a América Latina, com uma combinação de casos confirmados, reivindicações em leak sites e muita atividade de extorsão cuja tipificação exata nem sempre pôde ser verificada com o material disponível. O dado mais claro do mês é que o eixo dominante continuou sendo ransomware, com 162 de 241 fatos verificados do período concentrados nessa categoria. Dentro desse conjunto, houve 21 casos com criptografia de ativos confirmada, 8 de exfiltração sem criptografia, 5 de menção apenas em leak site e 128 fatos em que a fonte não permitiu determinar o impacto exato.

O mês também trouxe uma mudança de escala na leitura regional. O Brasil continuou aparecendo como o país mais pressionado, tanto pelo volume acumulado quanto pela centralidade setorial na saúde. A ESET reportou mais de 100 vítimas no Brasil no primeiro semestre de 2026, enquanto o México se aproximou de 80, a Argentina registrou 39 e a Colômbia 33. Esse padrão não descreve um único surto, mas a persistência de campanhas em múltiplas famílias e grupos, com foco especial em organizações públicas, prestadores de saúde e entidades com perímetros expostos.

A Argentina concentrou um dos casos mais visíveis do mês, com o Qilin reivindicando o Ejército Argentino em seu leak site em 24 de julho. A fonte ransomware.live e a cobertura da IntelFusions e da Dexpose coincidem em que houve pelo menos atividade de infostealer associada a mais de 200.000 usuários comprometidos, o que aumenta a preocupação com reutilização de credenciais, mas não autoriza afirmar uma intrusão principal plenamente verificada além da listagem pública. Em paralelo, o Mercado Libre Argentina apareceu no radar do The Gentlemen, embora com um alerta importante, a evidência pública não confirmou uma intrusão bem-sucedida nem roubo de dados em 9 de julho.

A Bolívia também registrou um caso confirmado, com o Krybit reivindicando um ataque contra o Servicio Plurinacional de Registro de Comercio e o ransomware.live marcando a vítima seprec.gob.bo em 7 de julho. Esse episódio é relevante porque combina reivindicação pública e registro de vítima em uma plataforma de inteligência, mas o material não detalha o alcance técnico do comprometimento nem se houve criptografia, exfiltração ou ambas as coisas. Em termos editoriais, julho reafirma que a região não enfrenta apenas vazamentos massivos ou interrupções isoladas, mas uma camada constante de extorsão que mistura pressão pública, claims em sites de vazamento e eventuais intrusões confirmadas.

O Brasil, por sua vez, continuou sendo o centro operacional mais importante da região, especialmente em saúde. Diferentes fontes citadas no material coincidem em que o setor de saúde brasileiro concentra uma proporção desproporcional da atividade regional, com 51% das ocorrências de ransomware em saúde na América Latina. Em julho, apareceu ainda a SPDM, grande prestador hospitalar brasileiro, listada pelo Global Secret Group com 847 GB de dados reivindicados. Esse volume amplia o alcance visível do incidente da mera vitimização para a exfiltração anunciada, embora a cobertura disponível siga sem confirmar publicamente criptografia efetiva nem pagamento de resgate.

A leitura operacional do mês é de risco alto. Não por uma única família nem por um único setor, mas pela persistência de múltiplos grupos ativos, pela amplitude das vítimas, pela exposição de credenciais e pelo peso que seguem tendo os ambientes perimetrais, especialmente VPN, hipervisores e sistemas acessíveis pela Internet. A comparação com junho mostra uma aceleração nítida em volume, com 241 fatos verificados contra 74 no mês anterior, e 162 casos com ransomware ou extorsão como eixo primário contra 56. O sinal não depende de telemetria agregada, mas de incidentes, reivindicações e coberturas verificadas do período.

Panorama regional do mês

Julho não trouxe uma única campanha regional coordenada, mas uma pressão simultânea sobre vários países e setores, com forte concentração em saúde, governo e organizações de serviços. No material analisado, a América Latina surge como um espaço em que os grupos mais ativos do ecossistema global encontram alvos com visibilidade pública suficiente, fragilidades de perímetro e capacidade desigual de resposta. O resultado é uma combinação de pressão de leake site, exfiltração anunciada e ataques cujo alcance técnico nem sempre é divulgado por completo.

O Brasil segue como principal referência regional. O país aparece em várias fontes como epicentro latino-americano do ransomware em saúde e como um dos focos globais mais relevantes para esse vertical. O material de ESET, SINDPD, Portal Information Management, Cafe com Bytes, Cloud Security Resource e Brandefense converge na mesma direção: alta exposição, pressão intensa e fragmentação do mercado criminoso. Não há uma única quadrilha dominante. LockBit 5, The Gentlemen, Qilin, Akira, DragonForce, Global Secret Group e Krybit aparecem em diferentes materiais, o que sugere um ambiente competitivo em que afiliados migram entre marcas e o alvo vale mais pela disponibilidade do que por fidelidade a um cartel específico.

A severidade qualitativa do mês é alta por três razões. Primeiro, o volume verificado cresceu de forma muito acentuada em relação a junho. Segundo, os casos confirmados incluíram saúde, defesa, comércio e setor público, isto é, verticais com dados sensíveis e dependência operacional. Terceiro, vários episódios tiveram exposição pública de dados reivindicados ou comprometimento de credenciais, ainda que o ciframento nem sempre pudesse ser verificado. Essa combinação aumenta o custo de remediação, amplia a pressão reputacional e complica a classificação jurídica do incidente.

Do ponto de vista tático, o mês reafirma padrões bem conhecidos, mas nem por isso menos relevantes. Os atacantes seguem explorando acesso remoto, credenciais roubadas, configurações frágeis de VPN e exposição de hipervisores. As fontes de CSO Online, ransomware.live, Brandefense e Infosecurity Magazine apontam para o mesmo perímetro, com VPNs, Cisco AnyConnect, Fortinet, Palo Alto GlobalProtect, Citrix, SonicWall e VMware ESXi como superfícies recorrentes. O dado não prova que todos os incidentes da América Latina tenham passado por esses vetores, mas explica por que as organizações com acesso remoto desorganizado continuaram aparecendo entre as mais vulneráveis.

Pressão visível por paísLeitura qualitativa do material verificável de julho de 2026BrasilArgentinaBolíviaColômbiaSaúdeDefesaRegistroContexto
Países com maior pressão visível no material — Leitura qualitativa baseada nos fatos verificáveis do mês, não em telemetria agregada.

Indicadores do período

Indicador Julho de 2026 Mês anterior Variação
Fatos verificados do período 241 74 +167
Janela temporal dos indicadores 248 fatos datados de julho de 2026, 26 sem data confirmada excluídos dos indicadores 74 fatos datados de junho de 2026, sem fato sem data confirmado na base comparável N/A
Incidentes sem tipificação 46 11 +35
Casos com ransomware ou extorsão como eixo principal 162 56 +106
Criptografia de ativos confirmada 21 N/D N/D
Exfiltração sem criptografia, extorsão simples 8 N/D N/D
Apenas menção em leak site 5 N/D N/D
Tipificação não determinável com o material 128 N/D N/D
Casos de fraude ou phishing documentados 7 1 +6
Movimentações regulatórias documentadas 3 1 +2
CVEs críticos mencionados 1 sem dado comparável do mês anterior N/D
Setores com pelo menos um fato documentado 8 8 sem mudanças
Ameaça predominante do mês Ransomware (162 de 241 fatos) Ransomware (56 de 74 fatos) N/A
Fatos com confirmação direta da fonte 86% N/D N/D
Cifras de telemetria agregada excluídas do volume 7 N/D N/D

A base do período é de 241 fatos verificados. A janela temporal dos indicadores exclui 26 fatos sem data confirmada. Os 7 registros de telemetria agregada não entram no volume, porque correspondem a tentativas ou bloqueios automatizados e não a incidentes com impacto confirmado.

Incidentes relevantes

Ejército Argentino e Qilin

Em 24 de julho, o Qilin adicionou o Ejército Argentino ao seu site de vazamentos e publicou uma reivindicação pública contra o domínio oficial do Ejército Argentino. O material disponível permite afirmar com segurança que houve listagem no leak site e pressão extorsiva pública, mas não que a intrusão principal esteja totalmente verificada com documentação técnica independente. Essa diferença importa, porque, em ransomware, o claim e o impacto real nem sempre coincidem em tempo nem em profundidade.

A Ransomware.live traz uma ficha específica para a vítima, com referência ao domínio oficial e indicação de atividade de infostealer sobre contas associadas. A IntelFusions e a Dexpose acrescentam contexto ao descrever o Qilin como uma operação de ransomware-as-a-service ativa desde 2022, com forte atividade global e um viés técnico para servidores VMware ESXi. Esse padrão é relevante para a região porque ambientes com virtualização exposta, backups acessíveis pela rede e MFA incompleto costumam ter pior capacidade de contenção quando o invasor entra com credenciais válidas.

O valor analítico deste caso não está só no alvo, mas no tipo de sinal. O Qilin não aparece aqui como uma curiosidade isolada, e sim como um operador muito ativo em julho, com 27 listings entre 22 e 25 e mais de 120 claims no último mês, segundo a IntelFusions. Em outras palavras, o caso argentino entrou em um pico operacional global do grupo, o que aumenta a probabilidade de se tratar de uma campanha afiliada com capacidade real de monetização e não apenas de um exercício de reputação criminosa.

Mercado Libre Argentina e The Gentlemen

O Mercado Libre Argentina foi mencionado pelo The Gentlemen como suposta vítima de um ataque de ransomware e de uma possível filtragem de dados. Aqui, o critério de prudência é ainda mais forte. A própria cobertura da Fortuna y Poder esclarece que até 9 de julho não havia evidência pública que confirmasse uma intrusão bem-sucedida nem roubo de informação. A Escudo Digital também cita uma listing na página de vazamentos do grupo, mas sem apresentar prova de criptografia nem amostras de dados exfiltrados.

O caso deve ser lido como ameaça de extorsão, e não como brecha confirmada. Isso não o torna menor. No ecossistema atual, a simples menção em um leak site pode antecipar pressão de negociação, desgaste para equipes jurídicas e ruído reputacional, sobretudo quando o alvo é uma companhia de alta visibilidade regional. Mas, metodologicamente, o material do mês não permite elevar o caso à condição de incidente confirmado de ransomware com impacto sobre ativos ou dados.

A utilidade analítica do episódio é outra. O The Gentlemen aparece descrito como uma das bandas mais ativas do momento e com uma página de vazamentos na dark web. Esse tipo de ator busca maximizar a alavanca reputacional antes de mostrar evidência técnica. Em termos de defesa, isso obriga a monitorar menções iniciais, rotas de fuga, fóruns e sites de extorsão, porque o dano de marca pode começar antes da prova técnica de comprometimento.

SEPREC da Bolívia e Krybit

A Bolívia teve em julho um caso mais sólido do ponto de vista de confirmação. A Dexpose informou que o Krybit reivindicou um ataque contra o Servicio Plurinacional de Registro de Comercio, enquanto a ransomware.live registrou o seprec.gob.bo como vítima descoberta em 7 de julho. Ao contrário da nota sobre o Mercado Libre, aqui há coincidência entre a reivindicação pública e a ficha da vítima.

O material, porém, não especifica se houve criptografia, exfiltração ou ambas as coisas. Também não descreve sistemas afetados, tempo de recuperação nem dados comprometidos. Isso obriga a manter a classificação em um ponto intermediário, entre reivindicação e possível incidente real, sem inflar o alcance. Para a leitura regional, o caso é valioso porque mostra que os alvos não se limitam a hospitais ou grandes corporações: registros de comércio e entidades do Estado também entram no radar quando oferecem superfície exposta e menor capacidade de defesa.

SPDM e Global Secret Group no Brasil

A SPDM é um dos casos mais sensíveis do mês pelo tipo de vítima e pelo volume de dados reclamados. A Galaxy Warden informou que em 26 de julho o prestador de saúde brasileiro foi listado no leak site do Global Secret Group com uma reivindicação de 847 GB de dados roubados, equivalentes a 871.912 arquivos em 76.047 pastas. A ransomware.live também registrou a organização dentro de Hospitals & Clinics no Brasil, com descoberta do incidente no mesmo dia.

Aqui, a diferença entre listing e exfiltração anunciada importa. A cobertura disponível fala de dados roubados reivindicados, o que fortalece a hipótese de extorsão com exfiltração. Mas não traz evidência pública de criptografia efetiva nem de pagamento. Portanto, o caso fica posicionado como incidente com exposição de dados anunciada, e não como uma sessão completa e tecnicamente encerrada do ataque.

O valor do caso SPDM está em confirmar a pressão sobre a cadeia de saúde brasileira. O grupo não mira apenas grandes hospitais estatais ou laboratórios, mas também grandes prestadores com milhares de funcionários e alto volume de dados. Em um setor em que os relatórios citados pelo material falam de 51% das ocorrências regionais e de custos de violação muito elevados, a publicação de centenas de gigabytes em um leak site traz consequências legais, de continuidade e de confiança muito além do incidente inicial.

Saúde brasileira e Global Secret Group

O registro da ransomware.live sobre o Global Secret Group como vítima no Brasil reforça que o ataque contra a SPDM não foi um caso isolado no radar da saúde. O projeto de monitoramento adicionou a organização à sua atividade para Hospitals & Clinics e marca 26 de julho como data de descoberta. Essa coincidência temporal com a publicação do leak site sugere que a pressão pública e o acompanhamento de inteligência se moveram em sincronia.

A leitura regional é clara. O Brasil não concentra apenas volume, mas também sensibilidade setorial. Quando a saúde aparece como vertical dominante, a extorsão se torna mais rentável porque o custo da interrupção é alto e a urgência para restabelecer serviços é maior. Isso não significa que todos os ataques terminem em criptografia, mas sim que a ameaça se adapta a um ambiente em que o tempo de inatividade tem valor econômico e político imediato.

Camadas de pressão sobre o Estado argentino

O caso do Ejército Argentino não deveria ser lido de forma isolada. Ele entra em uma sequência de peças de julho que mostram pressão crescente sobre órgãos públicos na região, do registro boliviano às menções sobre governos e entidades oficiais na análise semestral da ESET. O fato de a ransomware.live observar atividade de infostealer sobre mais de 200.000 usuários associados ao caso acrescenta um risco secundário, o de reutilização de credenciais para avançar para outras contas ou serviços.

Esse tipo de exposição é particularmente delicado em órgãos de defesa ou governo. Não basta encerrar uma listagem ou desmentir um claim. Se houve credenciais expostas, o problema pode persistir na forma de acessos residuais, tokens válidos, sessões persistentes ou reutilização de chaves em outros domínios. O material não confirma esses extremos, mas justifica uma investigação interna ampla sobre identidade e acesso.

Ameaças e campanhas ativas

Criptografia de ativos confirmada

O mês registrou 21 casos com criptografia de ativos confirmada entre os fatos verificados. O material não permite vincular cada um a uma vítima específica nesta nota sem repetir desnecessariamente a base, mas deixa uma leitura tática útil. Onde a criptografia foi confirmada, o problema deixa de ser apenas extorsão e passa a ser operacional, com impacto direto em disponibilidade, restauração e dependência de backups.

As fontes que contextualizam esse tipo de atividade apontam vetores recorrentes. CSO Online e Brandefense destacam o uso de VPNs vulneráveis e credenciais legítimas, enquanto Infosecurity Magazine e AhnLab ressaltam o peso dos grupos mais ativos e dos ambientes perimetrais. Na América Latina, isso coincide com organizações que ainda mantêm acessos remotos mal segmentados e sem autenticação forte em todos os pontos sensíveis.

Exfiltração sem criptografia, extorsão simples

Os 8 casos classificados como exfiltração sem criptografia confirmam que a extorsão já não depende necessariamente de bloquear sistemas. Basta entrar, copiar dados e pressionar com publicação ou venda secundária. Em setores como saúde, comércio e Estado, esse modelo pode ser mais rentável do que criptografar tudo, porque permite manter a operação da vítima enquanto aumenta a pressão pública.

O caso SPDM se encaixa parcialmente nessa lógica, já que o material reporta 847 GB de dados reivindicados. A mesma leitura vale, em outro plano, para a menção ao Ejército Argentino com atividade de infostealer relacionada. Em ambos os casos, o risco não está apenas na intrusão inicial, mas na circulação posterior de credenciais ou dados sensíveis.

A exfiltração simples exige defesas diferentes das pensadas para ransomware clássico. Não basta proteger o backup se o adversário já saiu com informações. Aqui importam DLP, controle de saída, inventário de dados sensíveis, registros de transferência e capacidade de detectar despejo massivo ou compressão anômala.

Apenas menção em leak site

Os 5 fatos que ficaram apenas em menção em leak site lembram que a pressão criminosa também opera no plano narrativo. O claim público, por si só, pode forçar a vítima a responder, mesmo sem evidência suficiente de acesso real. The Gentlemen e o caso de Mercado Libre Argentina ilustram esse ponto com clareza.

Para um CISO, essas menções importam por três motivos. Primeiro, porque antecipam possível escalada. Segundo, porque exigem contraste rápido com logs, EDR, autenticação e telemetria interna. Terceiro, porque podem alimentar consultas de imprensa, clientes e reguladores antes que exista uma imagem técnica completa.

Tipificação não determinável com o material

A categoria mais ampla do mês, com 128 fatos, foi a de tipificação não determinável. Isso não é uma falha menor do relatório. Faz parte do fenômeno. Muita cobertura jornalística e de inteligência em julho menciona ransomware, extorsão ou leak sites sem documentar de forma suficiente se houve criptografia, apenas exfiltração ou mera reivindicação.

Essa ambiguidade deveria preocupar as equipes de segurança. Quando a comunicação externa não distingue o modo de impacto, a resposta interna tende a se misturar. E isso leva a erros de priorização, por exemplo, tratar como incidente de disponibilidade um caso que exige primeiro contenção de identidade e evidência de exfiltração, ou o contrário.

Fraude e phishing

Houve 7 casos de fraude ou phishing documentados no período. Não competem com ransomware como eixo dominante, mas ajudam a alimentá-lo. O material de ESET, Aufiero Informática e outras fontes lembra que o acesso inicial ainda depende muitas vezes de e-mail falso, credenciais comprometidas e software desatualizado. No plano operacional, phishing e fraude continuam sendo a porta de entrada de muitos claims de ransomware.

APT e hacktivismo

O mês não mostrou predominância de APT ou hacktivismo na amostra, mas deixou sinais compatíveis com campanhas de pressão persistentes sobre organismos públicos e de defesa. O caso Ejército Argentino e alguns registros sobre infraestrutura crítica fora da região ajudam a contextualizar o risco, embora não substituam evidência local de um ator APT puro. Em julho, o material fala mais de ciberextorsão organizada do que de espionagem sofisticada.

Vulnerabilidades críticas

O indicador de CVEs críticos mencionados foi 1. Isso significa que, no material analisado, houve uma única referência crítica desse tipo, e não que não existam outras vulnerabilidades exploradas na região. A ausência de mais CVEs nesta amostra não deve ser interpretada como ausência de risco técnico.

CVE Software Explotação Fonte
CVE-2023-20269 Cisco AnyConnect SSL VPN A Brandefense o apontou como um dos vetores de acesso inicial mais consistentes para o Akira em ambientes sem MFA Brandefense, https://brandefense.io/blog/top-5-ransomware-groups-q2-2026/

A menção ao CVE-2023-20269 se encaixa em um padrão mais amplo de exposição de perímetro. As fontes do mês também citam VPNs da Ivanti, Fortinet, Cisco, Citrix, SonicWall, GlobalProtect e dispositivos de borda como o NetScaler ADC. Embora nem todos apareçam como CVEs críticos no material, a leitura operacional é a mesma: o perímetro segue sendo o ponto de entrada preferido quando a organização não endurece o acesso remoto e não exige MFA.

Regulação e compliance

Julho também trouxe movimentação regulatória no Brasil, e isso está longe de ser um detalhe lateral. O Portal Information Management informou que a Lei nº 15.352/2026 transformou a ANPD em autarquia de natureza especial, com poderes ampliados de fiscalização sobre dados sensíveis, incluindo os de saúde. O mesmo material citou a Resolução CFM nº 2.454/2026, primeiro marco brasileiro sobre o uso de inteligência artificial na medicina, em vigor desde agosto.

A leitura regulatória é dupla. De um lado, as autoridades brasileiras parecem responder ao aumento dos incidentes com mais capacidade de supervisão e regras específicas para IA na saúde. De outro, esse endurecimento ocorre num cenário em que os ataques não são apenas sofisticados, mas também favorecidos por falhas básicas de governança, tráfego de dados por canais não criptografados e configurações fracas na nuvem.

Em termos de compliance, o setor de saúde brasileiro surge como o mais exposto ao atrito entre segurança, continuidade assistencial e obrigações de proteção de dados. As fontes do mês insistem que boa parte do risco atual vem de erros operacionais, falta de segmentação e ausência de MFA em contas privilegiadas. Isso obriga a revisar não só a segurança técnica, mas também a governança de terceiros, provedores de cloud e contratos de tratamento de dados.

Países mais afetados na América Latina

Brasil

O Brasil foi, de longe, o país mais visível do mês em volume, recorrência setorial e variedade de grupos associados. As evidências do período colocam o país como epicentro regional do ransomware em saúde e como um dos maiores alvos globais do segmento. A ESET o reportou com mais de 100 vítimas no primeiro semestre de 2026, e outras fontes do mês reforçaram essa centralidade com 99 incidentes acumulados desde janeiro, 195 instâncias de telemetria entre janeiro e maio e uma concentração de 51% das ocorrências regionais em saúde.

O ponto-chave não é só a quantidade. É a estrutura. Os casos brasileiros que aparecem no material atingem hospitais e clínicas, provedores de saúde, configurações em nuvem, hipervisores e o ecossistema de tecnologia médica. SPDM e Global Secret Group ilustram a pressão sobre grandes prestadores. SINDPD e Portal Information Management mostram uma superfície sistêmica em que a continuidade assistencial e a proteção de dados estão sob pressão ao mesmo tempo. Cafe com Bytes acrescenta que LockBit 5 e The Gentlemen lideram em vítimas no país, sinal de um mercado criminal fragmentado e competitivo.

Argentina

A Argentina teve uma das sinalizações mais visíveis do mês por causa do caso Ejército Argentino e da menção a Mercado Libre Argentina. A ESET a colocou com 39 vítimas no primeiro semestre de 2026, e os trackers de ransomware citados pelo material mostram entre 169 e 174 vítimas históricas nos mapas de inteligência, muito acima do que aparece em painéis restritos. Isso sugere uma exposição contínua, e não um episódio isolado.

O caso Ejército Argentino é relevante pelo alvo, pelo grupo e pela combinação com atividade de infostealer. Já a menção a Mercado Libre funciona como exemplo de pressão extorsiva sem confirmação pública de intrusão. Juntos, os dois casos mostram que a Argentina combina alvos de alta visibilidade com pressão criminosa oportunista, e que os claims públicos podem gerar dano operacional e reputacional mesmo antes de a intrusão ser tecnicamente comprovada.

Bolívia

A Bolívia teve um único caso claramente verificável em julho, mas nem por isso menos relevante. Krybit reivindicou o ataque ao SEPREC e ransomware.live registrou a vítima em 7 de julho. O sinal é importante porque mostra impacto sobre uma entidade estatal com função registral, ou seja, um alvo em que a extorsão pode buscar não só pagamento, mas também visibilidade e pressão institucional.

As evidências disponíveis não permitem afirmar a extensão exata do comprometimento. Mas deixam claro que a Bolívia não ficou à margem do mapa regional e que os operadores de ransomware também miram órgãos da administração pública com menor capacidade de redundância que as grandes empresas privadas.

Colômbia

A Colômbia aparece no material mais como contexto do que como sequência de incidentes confirmados em julho. A ESET a situou com 33 vítimas no primeiro semestre de 2026, e várias fontes do período a mencionam como parte da pressão regional sobre governos e órgãos públicos. Além disso, o material de pesquisa inclui referências a campanhas e achados de outros países que contextualizam sua exposição por meio de acesso remoto e configurações expostas.

Não houve em julho, dentro do material verificável, um incidente colombiano com o mesmo nível de confirmação que Argentina, Brasil ou Bolívia. Por isso, a leitura por país precisa ser prudente. A Colômbia aparece como um território com risco contínuo e presença no mapa regional, mas não como principal foco dos fatos documentados do mês.

México

O México se manteve entre os países mais afetados da região, com quase 80 vítimas no primeiro semestre de 2026 segundo a ESET. Em julho, porém, o material disponível para este eixo não trouxe um caso de ransomware latino-americano tão nítido quanto os da Argentina, Bolívia ou Brasil. O que há é contexto de exposição e pressão regional, além da posição do país entre os alvos persistentes de operadores globais.

Para a leitura regional, o México importa porque costuma combinar alta exposição de grandes organizações com complexidade regulatória e alcance transfronteiriço. Embora este informe não atribua ao país um caso confirmado de ransomware do mês, ele segue aparecendo na geografia da ameaça e não deve sair da prioridade de monitoramento.

Paraguai

O Paraguai não teve um fato confirmado no material do mês dentro do escopo verificável. Há apenas um comentário sem data confirmada sobre sanatórios obrigados a voltar ao papel, mas a fonte não permite usar isso como volume do período. Na prática, isso significa que não há base suficiente para atribuir ao país um incidente de julho, embora o contexto regional sugira exposição ao mesmo tipo de vetores visto no restante do Cone Sul.

Peru

O Peru também não registrou um fato confirmado de ransomware em julho dentro do material verificável. A menção ao Centro Nacional de Segurança Digital na lista de fontes serve apenas como contexto de disponibilidade documental, não como incidente do período. A ausência de casos verificáveis não deve ser lida como baixa exposição, e sim como falta de sinal confirmado na amostra analisada.

Chile

O Chile aparece de forma mais clara no plano de telemetria e detecção, com sinais de Qilin no primeiro semestre de 2026 segundo a ESET, mas sem um incidente verificado de julho dentro do material deste eixo. Por isso, não há volume mensal confirmado a atribuir nesta nota. Ainda assim, a menção a famílias ativas no país ajuda a sustentar a leitura de um ecossistema regional em que os grupos mais ativos operam de forma transnacional.

Tendências e sinais para monitorar

A comparação com junho mostra uma forte expansão do volume verificado. A passagem de 74 para 241 ocorrências é um salto que não se explica por telemetria, já que a telemetria ficou excluída da contagem. O crescimento também aparece nos casos com ransomware ou extorsão como eixo principal, que subiram de 56 para 162. Em outras palavras, julho não foi apenas um mês com mais notícias, mas um mês com mais sinal verificado de extorsão.

A leitura mais importante é que o mercado criminoso aparece fragmentado e, ao mesmo tempo, mais profissionalizado. Qilin, DragonForce, Akira, LockBit 5, The Gentlemen, Global Secret Group e Krybit coexistem no material como marcas ativas ou em ascensão. Isso sugere que o problema não está concentrado em um único ator dominante, mas em vários operadores capazes de compartilhar infraestrutura, métodos e afiliados. Para a defesa, isso significa que bloquear uma família não elimina o risco.

Outro sinal para monitorar é o deslocamento para serviços e infraestrutura de borda. CSO Online e Brandefense insistiram no uso de VPNs vulneráveis e no abuso de credenciais legítimas. O material de Estado de Minas acrescenta que, no Brasil e na região, os atacantes estão mirando hipervisores como VMware ESXi, Hyper-V e Nutanix, em ambientes com MFA fraco e backups expostos. Essa combinação pode transformar uma intrusão relativamente banal em uma paralisação operacional prolongada.

A saúde segue como o setor mais sensível. Não só pela frequência, mas pelo custo reputacional e operacional de cada incidente. O Brasil concentra 51% das ocorrências regionais em saúde segundo várias das fontes citadas em julho, e os dados de mercado do país reforçam o apelo criminoso do setor. Se essa relação entre valor do dado, urgência assistencial e exposição técnica se mantiver, é razoável esperar que a saúde continue como o primeiro alvo de extorsão na região.

O outro sinal a acompanhar é a qualidade da atribuição pública. Em julho houve muitas menções em leak sites e várias fontes não conseguiram verificar com exatidão o impacto técnico. Isso obriga as equipes de segurança a trabalhar com mais disciplina na classificação interna. Um claim sem criptografia não recebe a mesma resposta que uma intrusão com exfiltração confirmada. A diferença, na operação, é enorme.

Recomendações para equipes de segurança

Primeiro, revisar o perímetro de acesso remoto como um ativo crítico, e não como uma comodidade operacional. O material do mês repete VPN, ausência de MFA, credenciais roubadas e abuso de acesso legítimo como porta de entrada. Isso exige endurecer AnyConnect, Fortinet, Ivanti, Palo Alto GlobalProtect, Citrix, SonicWall e qualquer serviço exposto à Internet com MFA obrigatório, segmentação por função e desativação de acessos obsoletos.

Segundo, tratar os hipervisores como superfície de ataque prioritária. A referência a VMware ESXi, Hyper-V e Nutanix não é decorativa. Muitas organizações protegem bem estações de trabalho e servidores tradicionais, mas deixam camadas de virtualização com poucas barreiras. É preciso revisar autenticação, separação das redes de administração, backups offline ou imutáveis e controles de acesso privilegiado sobre consoles de virtualização.

Terceiro, reforçar a detecção de exfiltração. O mês mostrou casos de dados reivindicados em leak sites e atividade de infostealer associada a vítimas concretas. Isso exige DLP, monitoramento de compactação em massa, alertas por transferência incomum, inspeção de tráfego de saída e correlação com identidade. Quando o adversário não cifra e só rouba, o backup deixa de ser a primeira linha de defesa.

Quarto, estabelecer um circuito rápido de verificação para claims públicos. Se uma organização aparecer em um leak site, o tempo de resposta deve ser medido em horas, não dias. É preciso uma cadeia clara entre jurídico, segurança, comunicação e diretoria para confrontar logs, revisar EDR, validar autenticações e preparar mensagens sem aceitar de antemão uma narrativa criminosa que ainda não foi comprovada.

Quinto, segmentar a continuidade por serviços críticos e não por domínios administrativos. Em saúde e setor público, o risco real é a interrupção de processos essenciais. Por isso, convém validar dependências entre aplicações, fornecedores, identidade, armazenamento e backups. O objetivo não é só evitar criptografia, mas manter uma degradação controlada se um segmento cair.

Sexto, endurecer a governança de terceiros e de nuvem. O material brasileiro de julho insiste em falhas de configuração, servidores cloud mal protegidos e tráfego de dados médicos por plataformas não criptografadas. Isso pede inventário de fornecedores, revisão de contratos, mínimo privilégio, criptografia em trânsito e em repouso, e testes periódicos de recuperação a partir de backups limpos.

Sétimo, em saúde e administração pública, incorporar exercícios de mesa centrados em extorsão com exfiltração. Não basta simular criptografia. É preciso praticar o cenário de ameaça pública, pressão da imprensa, vazamento parcial, contato com afiliados e coordenação regulatória. Julho mostrou que muitas campanhas buscam exatamente isso.

Limitações do material

Este relatório foi construído exclusivamente com o material fornecido para julho de 2026 e com a base de fatos verificados do período. Isso significa que apenas os elementos contidos no bloco de pesquisa podem sustentar afirmações sobre a atividade do mês. Os fatos sem data confirmada foram excluídos dos indicadores e só puderam ser usados como contexto qualitativo, sempre com a ressalva de que sua data não está confirmada.

A janela temporal dos indicadores é de 248 fatos com data em julho de 2026, com 26 sem data confirmada excluídos. A base dos indicadores é de 241 fatos verificados do período. Os 7 registros de telemetria agregada não foram somados ao volume, porque correspondem a tentativas ou bloqueios automatizados e não a incidentes com impacto confirmado.

Um indicador em zero, e isso se aplica de forma especial a CVEs críticos, significa que esse elemento não foi registrado no material analisado. Não significa ausência de vulnerabilidades críticas nem ausência de exploração na região. Neste mês, o material só permitiu identificar um CVE crítico mencionado, CVE-2023-20269, e o restante das referências técnicas ficou em descrições de vetores ou superfícies de ataque sem numeração de CVE.

A cobertura também excluiu fontes não aptas a sustentar tendências, como publicações em redes sociais de consumo e certos materiais promocionais ou de tipo press release quando não ofereciam evidência suficiente. Em particular, não foram usadas publicações do LinkedIn como evidência para afirmar incidentes confirmados, embora apareçam mencionadas no bloco de pesquisa como contexto de leitura.

A leitura por país incluiu apenas jurisdições com fatos verificáveis dentro do período ou com contexto técnico explícito no material. Países sem material suficiente foram tratados em uma frase agregada para não inventar atividade. O relatório não acrescenta vítimas, URLs nem cifras externas às fornecidas, e não deriva totais próprios por soma de categorias que não foram desenhadas para ser exclusivas entre si.

Fontes