CiberLATAMbywhalemate
Relatório de inteligência

México: cibersegurança em outubro de 2026

México fechou outubro com mais regulação, fraudes e ransomware, mas com menos casos não classificados que no mês anterior.

1 de nov. de 202618 min de leitura
México: cibersegurança em outubro de 2026whalemateA plataforma para gerenciar o risco humano em cibersegurança.

Principais conclusões

Módulos mensais de referência

Esses módulos são preenchidos automaticamente com os fatos verificados e datados dentro do período. Cada um informa sua base e seu critério de contagem, para que os números se conciliem entre os módulos. Esta é a leitura recorrente mês a mês; a análise posterior desenvolve os casos sem repetir este resumo.

Janela dos indicadores: 45 fatos datados em outubro de 2026 · 2 de meses anteriores (marco comparativo, não volume do mês). Os fatos de meses anteriores são usados apenas como marco comparativo na análise, nunca como volume deste período.

CIBERLATAM / WHALEMATE Painel mensal de sinal verificado outubro de 2026 · México Ameaça predominante: Sem classificação (11 de 45 fatos). Cobertura: 45 fatos com data em outubro de 2026 · 2 meses a… FATOS VERIFICADOS 45 base do período: todo o volume é medido abaixo sobre este total RANSOMWARE / EXTORSÃO 10 2 apenas menção em leak site · 8 tipificação indeterminável com o material INCIDENTES SEM TIPIFICAÇÃO 7 brechas ou interrupções sem tipo de ameaça declarado FRAUDE / PHISHING 2 campanhas de fraude documentadas REGULAMENTAÇÃO 6 normas, resoluções ou sanções CVEs ÚNICOS 9 CVE-2025-61624 / CVE-2026-0322
Painel mensal de sinal verificado — Base: 45 fatos verificados com data no período para o México.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição por eixo de ameaça outubro de 2026 · México Cada ocorrência conta em apenas um eixo, por isso a soma é exatamente 45. "Incidentes sem tipificação" é o restante. Sem classificação 11 Ransomware 10 Vulnerabilidades 9 Incidentes 7 Regulação 6 Fraude 2
Distribuição por eixo de ameaça — Cada ocorrência é atribuída a um único eixo conforme sua tipificação; a soma fecha com os 45 casos do período.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição setorial do sinal outubro de 2026 · México Base: 45 fatos do período · soma 61 porque 12 fatos se classificam em mais de um setor. Setor público / OIV 20 Educação 10 Tecnologia 8 Outros / sem setor ident… 7 Telecom 6 Varejo / consumo 5 Finanças 3 Energia 2
Distribuição setorial do sinal — Classificação heurística por setor da vítima. Um fato pode atingir mais de um setor, por isso a soma pode ultrapassar a base.
MÓDULO FIXO MENSAL Infraestrutura crítica no México outubro de 2026 · México 1 de 45 fatos do período envolvem infraestrutura crítica. Um fato pode aparecer em mais de uma categoria. Setor público / governo 19 Infraestrutura crítica explícita 2 Energia / utilities 9 Telecom / conectividade 3
Infraestrutura crítica no México — Sinal verificado no setor público, finanças e serviços essenciais

Resumo executivo do mês no México

O México fechou outubro com uma agenda dominada por três frentes: mais regulação sobre ambientes digitais e dados pessoais, novos sinais de fraude financeira e atividade sustentada de ransomware e extorsão contra educação, manufatura, telecomunicações e setor público. Na base verificada do período, houve 45 fatos, com 7 incidentes sem tipificação, 10 casos com ransomware ou extorsão como eixo principal e 2 casos documentados de fraude ou phishing.

A leitura operacional do mês é de risco médio, não por causa de uma única campanha massiva, mas pela combinação de exposição em setores sensíveis, aumento da pressão regulatória e várias reivindicações de ransomware com pouca verificação independente. A ameaça predominante permaneceu sem classificação em 11 de 45 fatos, o que mostra uma cobertura fragmentada e um volume relevante de material que não permite enquadrar com precisão o vetor principal.

O caso mais sólido entre os incidentes de impacto foi o vazamento do Grupo Xcaret, que expôs dados de contato de cerca de 8.300 clientes e levou a alertas por tentativas de cobrança fraudulenta. Em paralelo, a Universidade Autônoma de Aguascalientes informou intermitências e possíveis tentativas de acesso não autorizado, enquanto o material agregado também reúne reivindicações de SafePay e Qilin sobre alvos mexicanos que não foram confirmadas de forma independente.

6, 7 outCongressoCERT-MX14 out Decretomenores21 outSenadodados21, 24 outXcaretvazamento26, 28 outPHP,sites gov

México, outubro de 2026, marcos verificados do mês — Sequência dos fatos mais relevantes do período, com foco em vazamentos, ransomware, regulação e CVEs críticos.

No campo defensivo e regulatório, outubro trouxe o Decreto de ambientes digitais seguros para meninas, meninos e adolescentes, aprovado e publicado em nível federal, além de várias iniciativas sobre pagamentos digitais, proteção de dados e revisão de investimentos estrangeiros em tecnologias sensíveis. O sinal não é apenas de endurecimento regulatório, mas de maior centralidade de cibersegurança, dados e supervisão digital dentro da política pública mexicana.

Panorama nacional do mês no México

O mês mostra um ecossistema com atividade dispersa, mas persistente, em que o risco mais visível esteve em credenciais, falsificação, extorsão e exposição de dados, não em uma única quebra de grande escala. A severidade sobe quando se cruzam os fatos confirmados com as reivindicações não verificadas: há vazamentos reais, campanhas de fraude e presença contínua de ransomware, mas também muito material que ainda não alcança um padrão de confirmação plena.

A classificação qualitativa de risco para outubro é média. Não houve uma crise única capaz de reorganizar o cenário, mas sim uma acumulação de incidentes em setores de alta sensibilidade, especialmente finanças, educação, telecomunicações e governo. O fato de 8 setores terem registrado ao menos um evento documentado confirma uma superfície de observação ampla, embora não necessariamente homogênea em impacto.

Em nível regional, a comparação com meses anteriores segue mostrando o México como um país com exposição destacada em ransomware e fraude financeira. O quadro comparativo do relatório anterior já havia colocado o país em uma posição alta dentro da América Latina, e em outubro a pressão não desaparece, apenas muda de forma. Cai o peso relativo do ransomware como eixo dominante, sobem os casos de fraude e cresce a quantidade de temas regulatórios ligados a dados, pagamentos digitais e plataformas.

Indicadores do período no México

Indicador Outubro 2026 Mês anterior Variação
Fatos verificados do período 45 61 -16
Janela temporal dos indicadores 45 fatos com data em outubro 2026 + 2 fatos de meses anteriores como referência comparativa, não volume do mês Igual N/A
Incidentes sem tipificação (brechas ou interrupções) 7 12 -5
Casos com ransomware ou extorsão como eixo primário 10 19 -9
Apenas menção em leak site 2 Não informado N/A
Tipificação não determinável com o material 8 Não informado N/A
Casos de fraude ou phishing documentados 2 0 +2
Movimentos regulatórios documentados 6 8 -2
CVEs críticos mencionados 9 6 +3
Setores com pelo menos um fato documentado 8 6 +2
Ameaça predominante do mês Sem classificação (11 de 45 fatos) Ransomware (19 de 61 fatos) Mudança de eixo
Fatos com confirmação direta da fonte 67% Não informado N/A

Incidentes relevantes no México

Grupo Xcaret, vazamento confirmado de dados de contato

O Grupo Xcaret confirmou um acesso não autorizado aos seus sistemas de vendas e a extração de dados de contato de cerca de 8.300 clientes, limitados a e-mails e números de celular. A empresa informou que cartões de pagamento e contas bancárias não foram comprometidos, mas alertou para possíveis tentativas de cobrança fraudulenta. Este é o incidente com confirmação mais clara do mês no segmento de brechas.

A relevância do caso não está no volume, mas na cadeia de risco que ele abre. Com dados de contato reais, a suplantação posterior se torna mais plausível e o phishing deixa de ser genérico para virar algo contextualizado. Isso aumenta a probabilidade de fraude secundária e obriga a reforçar os controles de comunicação com clientes.

Universidad Autónoma de Aguascalientes, interrupções e possível intrusão

A Universidad Autónoma de Aguascalientes relatou possíveis tentativas de acesso não autorizado aos seus servidores, com instabilidades no e-mail institucional, no E-SSIMA e no Aula Virtual. A instituição afirmou que ativou protocolos de proteção, isolou servidores quando necessário e que não detectou extração de informações. Paralelamente, surgiram reivindicações posteriores em sites de vazamentos, mas sem confirmação independente.

Este caso fica em um ponto intermediário entre interrupção e intrusão sob investigação. A fonte institucional permite afirmar impacto operacional, mas não extração verificada. A leitura correta é mantê-lo como incidente sem fechamento técnico definitivo, não como brecha confirmada.

COMAPA Victoria, comprometimento admitido e recuperação do portal

A COMAPA Victoria reconheceu um ataque de ransomware do grupo Qilin e conseguiu recuperar seu portal sem aceitar a chantagem financeira. Pesquisadores citados em cobertura especializada também indicaram exposição de bancos de dados com credenciais e senhas vigentes do portal de clientes. Aqui há uma peça de atribuição mais sólida do que em outros casos do mês, embora a profundidade do impacto dependa da exposição dos dados e do alcance exato da intrusão.

O valor deste caso está em combinar admissão pública, recuperação operacional e evidência de exposição associada. Ele também serve como sinal de risco para órgãos municipais e operadores de serviços públicos, que costumam depender mais de portais de autoatendimento e ter menos maturidade para conter movimentos laterais ou vazamentos de credenciais.

Telcel, AT&T e Unefon, falhas de serviço sem causa de cibersegurança confirmada

Foram reportadas falhas de navegação e chamadas na Telcel, além de problemas nas redes da AT&T e da Unefon no mesmo dia. Não houve posicionamento oficial até o fechamento da cobertura e não foi confirmada uma causa de cibersegurança. Por isso, o episódio segue como interrupção de serviço e não como incidente cibernético tipificado.

A utilidade analítica do caso é metodológica: nem toda queda de serviço deve entrar na estatística de ciberincidentes. Em um mês com vários relatos de falhas, roubo de infraestrutura e alertas de segurança, separar disponibilidade, sabotagem física e intrusão digital evita superestimar a incidência real.

Grupo Xcaret, tentativas de cobrança fraudulenta após o vazamento

A empresa também alertou sobre mensagens de texto, ligações e e-mails falsos para cobrar reservas após o vazamento de dados de contato. Isso não acrescenta uma nova brecha, mas mostra a segunda fase do incidente, quando o dado vazado vira veículo para fraude direcionada. No plano defensivo, esse passo costuma ser mais danoso do que o vazamento inicial se a comunicação com clientes não for rápida e clara.

Ameaças e campanhas ativas no México

Ransomware e extorsão, com predominância de vitórias parciais e provas em leak site

Em outubro, houve 10 casos com ransomware ou extorsão como eixo principal, mas o material nem sempre permite determinar se houve criptografia, exfiltração sem criptografia ou apenas menção em site de vazamentos. A divisão mais prudente é a seguinte: dois casos ficaram como mera menção em leak site, enquanto em oito a tipificação não pôde ser determinada com segurança a partir do material disponível.

Isso importa porque o efeito operacional muda bastante de um caso para outro. Não é o mesmo uma lista em um site de vazamentos, uma intrusão com exfiltração ou uma criptografia real com queda de serviços. No mês, a evidência pública mais clara se concentrou em COMAPA Victoria, Grupo Xcaret e a Universidad Autónoma de Aguascalientes, com diferentes níveis de confirmação e dano.

Entre as referências do mês aparecem Qilin, SafePay, Direwolf, J Group e Krybit, além de várias reivindicações não corroboradas. A diversidade de atores e a dispersão setorial sugerem um ecossistema ativo, mas não necessariamente uma campanha unificada contra o México. O país segue sendo um alvo visível para grupos que alternam leak sites, extorsão e reivindicações de vítimas.

Fraude e phishing, com foco em credenciais e suplantação

Houve 2 casos de fraude ou phishing documentados de forma explícita no período, mas o fenômeno foi mais amplo na cobertura qualitativa. A campanha de e-mails com falsos comprovantes fiscais em PDF, os alertas da CONDUSEF sobre suplantação de instituições financeiras e os anúncios patrocinados que levavam a páginas clonadas de bancos mostram uma pressão constante sobre o usuário final.

Também surgiu um alerta sobre montadeudas e outro sobre suplantação por meio de ligações, WhatsApp, e-mail e páginas que pareciam oficiais. Em termos de risco, isso conecta a fraude digital ao uso posterior de engenharia social, seja para pedir senhas, tokens ou pagamentos antecipados. A recomendação mais repetida no material foi verificar por canais independentes e não compartilhar dados sensíveis por mensagens ou ligações.

APT, automação ofensiva e IA aplicada ao ataque

Não foi documentada uma APT clássica atribuída com precisão estatal, mas houve vários sinais de automação ofensiva assistida por IA. O caso mais visível foi o de CyberCartel, descrito por Straiker e replicado por múltiplas coberturas, com uso de modelos comerciais para coordenar tarefas ofensivas contra alvos financeiros na América Latina, incluindo credenciais e artefatos associados ao México.

Além disso, CompTIA e Computer Weekly descreveram uma intrusão contra o ambiente de TI de uma empresa de água e drenagem de Monterrey, na qual foram usadas ferramentas geradas com IA para reconhecimento, enumeração e movimento lateral, sem evidência de avanço para o ambiente OT. O padrão é relevante porque mostra redução de barreiras para campanhas mais rápidas, não um salto qualitativo para técnicas nunca vistas.

Vulnerabilidades críticas com impacto no México

CVE Software Explotação Fonte
CVE-2026-109618 PHP Explotação ativa confirmada por CISA, execução remota de código sem autenticação CISA, PHP Development Team
CVE-2026-109619 PHP Explotação ativa confirmada por CISA, estado interno obsoleto e execução remota de código sem autenticação CISA, PHP Development Team
CVE-2026-0322 PAN-OS Incluída no KEV por exploração ativa CISA
CVE-2026-76519 Cisco Secure Email Gateway Incluída no KEV por exploração ativa CISA
CVE-2026-105133 AhsayCBS Incluída no KEV por exploração ativa CISA
CVE-2026-105134 AhsayCBS Incluída no KEV por exploração ativa CISA
CVE-2026-96652 Plex Media Server SSRF com exploração ativa confirmada por CISA CISA
CVE-2025-61624 Fortinet Path traversal em vários produtos, exploração ativa confirmada CISA
CVE-2026-102764 BeyondTrust Remote Support Bypass de autenticação por spoofing, exploração ativa confirmada CISA

A maior parte dessas vulnerabilidades não está ligada a uma vítima mexicana específica no material, mas teve repercussão operacional no país. A própria Presidência informou desconexões temporárias de sites do governo mexicano diante do alerta global sobre PHP, e depois o restabelecimento após trabalhos de cibersegurança. Isso transforma a correção de falhas em uma questão de exposição local, e não apenas de catálogo global.

Regulação e conformidade no México

Outubro foi intenso em regulação digital e proteção de dados. O marco mais relevante foi o Decreto de ambientes digitais seguros para meninas, meninos e adolescentes, obrigatório em todo o México, com exigências sobre identificação de idade, moderação de conteúdo, supervisão parental, privacidade reforçada por padrão, preservação de evidências e reporte de medidas em um prazo de 30 dias corridos.

O Senado complementou essa agenda com reformas à Lei Federal de Proteção de Dados Pessoais em Posse dos Particulares para reforçar a proteção de menores em ambientes digitais. Também avançaram iniciativas sobre uso seguro de dispositivos digitais nas escolas e sobre impedir que menores de 13 anos usem redes sociais. O eixo comum é um maior controle sobre o design das plataformas, o tratamento de dados e a verificação de idade.

Em paralelo, seguiu avançando a discussão da Lei de Economia Digital, com referências a pagamentos QR e NFC, atribuições para o Banxico e a CNBV, e uma transição regulatória que ainda não havia sido promulgada ao fim do período. Para o setor financeiro, o recado é claro: mais supervisão, mais rastreabilidade e mais integração entre pagamentos digitais, identidade e cibersegurança.

A outra frente regulatória relevante foi a reforma à Lei de Investimento Estrangeiro, que incorpora tecnologias críticas, cibersegurança, tratamento de dados e inteligência artificial entre os temas sujeitos a revisão. Na prática, a cibersegurança deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser um critério de segurança nacional e de escrutínio para operações estratégicas.

Setores mais afetados no México

A distribuição setorial do mês foi mais ampla que a de setembro e alcançou pelo menos 8 setores. Finanças continuou como a área com maior densidade de sinais, não apenas por eventos de fraude e phishing, mas pela combinação de relatos sobre credenciais, bases de dados, SPEI, fintech e falsificação de instituições. O setor segue como o mais visível porque concentra valor econômico, rastreabilidade e dados sensíveis.

Educação também apareceu com peso próprio, tanto pela Universidade Autónoma de Aguascalientes quanto pela regulação que busca limitar riscos em ambientes escolares e plataformas voltadas a menores. Não é por acaso: o setor educacional mantém infraestruturas heterogêneas, múltiplos usuários e superfícies de acesso amplas, condições que facilitam tanto a intrusão quanto a interrupção.

Governo e serviços públicos continuaram presentes em várias frentes, da resposta institucional ao decreto digital aos casos de infraestrutura crítica e aos relatos sobre a COMAPA Victoria. Quando uma entidade pública cai em ransomware ou em uma tentativa de acesso, a consequência nem sempre é apenas técnica, também afeta a continuidade, a confiança e a capacidade de atendimento ao cidadão.

Telecomunicações, manufatura e energia mantiveram exposição, embora com níveis distintos de evidência. Em telecomunicações, o mês incluiu falhas e referências a reclamações de ransomware contra a MCM Telecom. Em manufatura, os casos de AYM, Grupo Euro e Airbus SLC México circularam como reivindicações ou relatos não totalmente verificados. Em energia e água, o sinal mais útil foi o de disponibilidade e resiliência operacional.

Principais indicadoresFatos 45Anterior 61Fraude 2Anterior 0CVEs 9Anterior 6Nível relativo
Comparativo de indicadores, outubro contra setembro — Resumo visual da variação mensal dos principais indicadores reportados para o México.

Tendências e sinais para monitorar no México

A primeira tendência é a perda de peso relativo do ransomware como eixo predominante e o avanço da mistura entre fraude, suplantação e regulação. Isso não significa menos risco, mas uma mudança na forma como ele aparece. Outubro registrou menos casos com ransomware ou extorsão como eixo principal do que no mês anterior, porém mais casos documentados de fraude ou phishing, além de mais fatos regulatórios com impacto em compliance.

A segunda sinalização é a persistência de casos sem tipificação. O fato de 11 de 45 eventos ficarem sem classificação como ameaça predominante mostra que o material disponível ainda é fragmentado. Para o leitor operacional, isso pede cautela: há mais ruído do que atribuição sólida, e a diferença entre um vazamento, uma extorsão ou uma simples reivindicação pode alterar a resposta técnica e jurídica.

A terceira tendência é o aumento dos sinais sobre vulnerabilidades críticas. Outubro passou de 6 para 9 CVEs críticos mencionados, com foco especial em PHP e outros produtos com exploração ativa. O dado importa porque o material de fato conecta esses alertas à necessidade de isolar e aplicar patches em sistemas expostos, inclusive em dependências do governo mexicano.

A quarta sinalização é a consolidação da fraude baseada em identidade. Deepfakes, clonagem de voz, suplantação de executivos, e-mails com comprovantes falsos e mensagens de cobrança se encaixam na mesma lógica, explorar confiança preexistente. Embora o mês tenha registrado apenas 2 casos de fraude ou phishing na base formal, o restante do material mostra um ambiente muito mais carregado de tentativas e técnicas associadas.

Recomendações para equipes de segurança no México

  1. Priorizar a correção de PHP e de qualquer tecnologia exposta à internet, começando por ambientes que rodem versões sem suporte ou componentes integrados a outros produtos. Os alertas da CISA e os restabelecimentos temporários de sites do governo mexicano mostram que o risco é operacional, não teórico.

  2. Revisar controles de autenticação e a exposição de credenciais em portais de clientes, sistemas de vendas e acessos administrativos. Os casos de COMAPA Victoria, Xcaret e os relatos sobre credenciais em campanhas de ransomware apontam para o mesmo ponto fraco, acessos reutilizados ou vazados.

  3. Reforçar a resposta a fraudes com comunicação ao cliente e verificação fora de banda. Se um vazamento expõe telefones ou e-mails, o passo seguinte costuma ser phishing direcionado, tentativas de cobrança ou falsificação de identidade. A janela de reação é curta, e a mensagem precisa ser clara desde o primeiro aviso.

  4. Separar tecnicamente disponibilidade, intrusão e boato. Nem toda queda de serviço é ciberataque, e nem toda menção em site de vazamento implica exfiltração confirmada. Esse cuidado analítico evita reações exageradas e ajuda a priorizar recursos onde há evidência.

  5. Alinhar conformidade, privacidade e segurança infantil com o novo marco regulatório. As plataformas, escolas e operadores digitais que tratem dados de menores agora têm obrigações explícitas sobre verificação de idade, minimização, controles parentais e exclusão de dados. Não é só uma questão jurídica, também é de desenho seguro.

  6. Preparar monitoramento de IA ofensiva e abuso de automação. Os casos de CyberCartel e da intrusão em Monterrey mostram que a automação reduz os custos operacionais para atacantes. Vale ajustar a detecção para movimentos laterais, uso anômalo de ferramentas administrativas e padrões de exfiltração.

Perguntas frequentes

O que mudou no México entre a pressão do ransomware e a do fraude digital?

Em outubro, o ransomware seguiu presente, mas perdeu centralidade como ameaça predominante e foi substituído por material não classificado e por sinais de fraude e phishing. A diferença em relação a setembro aparece com clareza nos indicadores e também na variedade de casos, distribuídos entre finanças, educação, telecomunicações e governo.

Qual é a relação entre as violações confirmadas e as reivindicações de leak sites?

Não devem ser misturadas. Grupo Xcaret e a Universidade Autónoma de Aguascalientes têm evidências mais sólidas de impacto operacional ou de acesso não autorizado, enquanto várias reivindicações de Qilin, SafePay, Krybit ou Direwolf ficaram apenas como menções em leak site ou como atribuições não verificadas. Essa distinção aparece nas seções de incidentes e ameaças.

Quais setores os times de segurança mexicanos devem observar primeiro?

Finanças, educação, governo, telecomunicações e manufatura concentram boa parte dos sinais do mês, mas não da mesma forma. Finanças recebeu fraude e credenciais, educação teve interrupções e tentativas de acesso, e governo enfrentou pressão regulatória e alertas por vulnerabilidades. A leitura cruzada está nas seções de incidentes, setores e vulnerabilidades.

Por que o novo decreto sobre menores importa para a cibersegurança?

Porque obriga plataformas e, por extensão, suas equipes técnicas e jurídicas, a implementar verificação de idade, privacidade reforçada por padrão, supervisão parental e preservação de evidências. Isso cruza regulação, arquitetura de produto e proteção de dados. Seu alcance é detalhado na seção de regulação e conformidade.

O que deve preocupar mais no curto prazo, os CVEs ou a fraude por suplantação?

Ambos, mas por motivos diferentes. Os CVEs críticos exigem correção e redução da superfície exposta, enquanto a suplantação e a fraude atacam a confiança e os processos de negócio. Em outubro, o material mostra que os dois fronts conviveram, e que a defesa precisa combinar higiene técnica com verificação de identidade e comunicação segura.

Limitações do material

Este informe foi elaborado exclusivamente com o material fornecido para o México em outubro de 2026, mais dois fatos de meses anteriores usados apenas como referência comparativa e com mês explicitado. Não se utilizou telemetria agregada como se fosse incidente, nem foram incorporadas fontes fora da lista habilitada. As redes sociais e publicações não autorizadas ficaram excluídas como evidência.

Os indicadores são calculados apenas com fatos datados dentro do período, salvo a referência comparativa indicada acima. Um valor de 0 em qualquer indicador, em particular em CVEs caso isso ocorra, significaria que ele não apareceu no material analisado do mês, não que o problema inexistia na região. Nesse caso, a janela comparativa deve ser lida como referência, não como volume adicional.

Em ransomware e extorsão, respeitou-se a taxonomia solicitada, distinguindo entre criptografia confirmada, exfiltração sem criptografia e mera menção em leak site quando o material permite. Quando isso não foi possível, a incerteza foi registrada em vez de inferir impacto. Essa cautela é especialmente importante em várias alegações de outubro, nas quais a confirmação pública não está completa.

Fontes