Argentina fixa maioria digital e controle de idade
Projeto define maioria digital aos 15 anos, pede verificação de idade e consentimento parental rastreável, com privacidade por padrão.
A deputada nacional Carolina Basualdo apresentou um projeto para fixar a maioria digital na Argentina a partir dos 15 anos. A proposta exige verificação de idade, consentimento parental para menores e punições para as plataformas que descumprirem.
Atualização 6 de setembro de 2026: o projeto passou a incluir obrigações mais específicas para as plataformas, entre elas consentimento parental rastreável para menores de 15 anos, privacidade máxima por padrão e restrições à geolocalização, à publicidade e aos algoritmos que prolongam o uso. Também prevê que a arrecadação das multas vá para educação e cidadania digital e que o Executivo regulamente os mecanismos técnicos em 90 dias.
A deputada nacional Carolina Basualdo apresentou um projeto de lei para estabelecer a maioria digital na Argentina a partir dos 15 anos. A proposta foi enviada às comissões de Famílias, Crianças e Juventudes e de Comunicações e Informática da Câmara dos Deputados. Pelo texto, menores de 15 anos só poderão criar ou manter perfis em redes sociais com consentimento prévio, livre e informado de quem exerça responsabilidade parental, tutela ou guarda.
O que a proposta exige das redes sociais?
O texto obriga as empresas que oferecem redes sociais a implementar sistemas de verificação de idade que protejam os dados pessoais dos usuários. Também incorpora uma definição de rede social usada na cobertura legislativa, como uma plataforma que permita criar perfil, gerar ou compartilhar conteúdo e interagir, sustentada por sistemas de recomendação de conteúdo.
Economía Sustentable acrescentou que o projeto transfere de forma explícita parte da responsabilidade pela segurança digital das famílias para as empresas provedoras de redes sociais, que passam a ser sujeitos centrais da regulação e deixam de ser apenas intermediárias tecnológicas. Segundo essa análise, as plataformas terão de usar sistemas confiáveis de verificação de idade, que superem a simples autodeclaração, junto com mecanismos rastreáveis de consentimento parental.
A mesma cobertura detalhou que a proposta exige configuração de privacidade máxima por padrão para menores. Também determina a desativação, por padrão, da geolocalização, do perfilamento para publicidade e dos algoritmos voltados a prolongar o tempo de conexão, além de canais de atendimento e denúncia operados por pessoas com proteção rígida de dados pessoais, em linha com a Lei 25.326.
Quais sanções prevê?
O projeto prevê multas por descumprimento para as plataformas de 100 a 100.000 Salários Mínimos, Vitais e Móveis, segundo a proposta divulgada por Tiempo de San Juan. Também abre a possibilidade de suspensão total ou parcial da plataforma caso as obrigações previstas não sejam cumpridas.
Economía Sustentable acrescentou que as sanções econômicas serão combinadas com advertências e que o valor arrecadado com as multas seria destinado a programas nacionais de educação e cidadania digital. O veículo também informou que, se a lei for aprovada, o Poder Executivo terá 90 dias para regulamentar os mecanismos técnicos de implementação da verificação de idade e o restante das obrigações para as redes sociais.
A cobertura de Parlamentario acrescentou que a iniciativa busca replicar o sistema francês e que a entrada de menores nas redes sociais seria tratada como corresponsabilidade de famílias, Estado e empresas provedoras. Esse mesmo enfoque coloca o debate em torno da idade de acesso, do tratamento de dados e do papel das plataformas na verificação.
Como se conecta a outras iniciativas sobre menores?
Em paralelo, outra iniciativa impulsionada na Argentina busca reforçar a proteção de imagens de crianças e adolescentes diante dos riscos das redes sociais. O projeto inclui opções técnicas como pixelização de rostos, distorção de vozes ou outros mecanismos que impeçam a identificação quando as imagens forem divulgadas publicamente.
A proposta quer que instituições de ensino e outros atores que divulguem conteúdo audiovisual adotem mecanismos obrigatórios para proteger a identidade de estudantes quando as imagens se tornarem públicas. Na cobertura feita na província de Buenos Aires sobre a Lei Ema, o Diario Hoy acrescentou que o texto obriga a divulgar a Linha 102 nas comunicações relacionadas e prevê revogação imediata do consentimento para a divulgação de imagens, além de pixelização ou distorção de vozes.
A Provincia en Vivo informou que a Lei Ema obteve meia sanção na Câmara de Deputados da província de Buenos Aires e que incorpora conteúdos sobre consentimento, privacidade, direitos digitais e uso ético da inteligência artificial no currículo, além de capacitação obrigatória para o pessoal da educação.
Qual é o clima em torno da discussão?
Um estudo do CIS da UADE citado por ITSitio mostrou que 86% dos argentinos ouvidos são favoráveis à regulação das redes sociais e que 87% apoiam mecanismos de verificação de idade, em um contexto de opinião pública favorável a iniciativas como o projeto de maioria digital. Em paralelo, a Derechos Digitales afirmou que uma organização que participou de uma mesa fechada sobre o projeto da província de Buenos Aires enviou observações em julho de 2026 e alertou que ampliar exceções ao consentimento e reduzir o controle externo sobre quem processa dados, em especial o Estado, representaria um retrocesso frente aos padrões de direitos humanos.
A cobertura política de Letra P também confirmou que a iniciativa de reforma de dados pessoais impulsionada pelo Executivo gera críticas e que atores do debate consideram que ela deve ser retirada ou modificada integralmente antes de chegar ao Congresso.
Fontes
- ¿A qué viene Peter Thiel a la Argentina?letrap.com.ar· Letra P
- Proponen establecer la edad de “mayoría digital” para uso de redes socialesparlamentario.com· Parlamentario
- Legislatura: buscan proteger imágenes de menores en escuelasdiariohoy.net· Diario Hoy
- Protección de datos: avances, retrocesos y tensiones cruzadas en la regiónderechosdigitales.org· Derechos Digitales
- El 86% apoya regular las redes sociales en Argentinaitsitio.com· ITSitio
- Una diputada nacional presentó un proyecto por la mayoría de edad digital: ¿de qué se trata?tiempodesanjuan.com· Tiempo de San Juan
- Buscan reforzar la protección de imágenes de niños y adolescentes frente a los riesgos de las redes socialeszonanortediario.com.ar· Zona Norte Diario Online
- La Provincia aprobó en general la Ley Ema contra la violencia digital en escuelaslaprovinciaenvivo.com· La Provincia en Vivo
- Buscan establecer la mayoría digital a los 15 años en redes socialeseconomiasustentable.com· Economía Sustentable
- Casi 9 de cada 10 argentinos piden regular las redes sociales y el 88% está preocupado por las fake newslapoliticaonline.com· La Política Online



