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Relatório de inteligência

Paraguai: cenário de cibersegurança, agosto de 2026

Mais phishing, mais regulação e menos ransomware: agosto terminou com 55 casos verificados e 11 fraudes bancárias documentadas.

1 de set. de 202618 min de leitura
Paraguai: cenário de cibersegurança, agosto de 2026whalemateA plataforma para gerenciar o risco humano em cibersegurança.

Principais conclusões

Módulos mensais de referência

Estes módulos são preenchidos automaticamente com os fatos verificados e datados dentro do período. Cada um informa sua base e seu critério de contagem, de modo que os números se reconciliem entre módulos. Esta é a leitura recorrente mês a mês; a análise posterior desenvolve os casos sem repetir essa síntese.

Janela dos indicadores: 55 fatos com data em agosto de 2026. Os fatos de meses anteriores são usados apenas como contexto comparativo na análise, nunca como volume deste período.

CIBERLATAM / WHALEMATE Painel mensal de sinal verificado agosto 2026 · Paraguai Ameaça predominante: Sem classificação (20 de 55 fatos). Cobertura: 55 fatos com data em agosto de 2026 FATOS VERIFICADOS 55 base do período: toda contagem a partir de baixo se mede sobre este total RANSOMWARE / EXTORSÃO 0 sem tipificação disponível INCIDENTES SEM TIPIFICAÇÃO 11 brechas ou interrupções sem tipo de ameaça declarado FRAUDE / PHISHING 11 campanhas de fraude documentadas REGULAMENTAÇÃO 11 normas, resoluções ou sanções CVEs ÚNICOS 3 CVE-2026-48286 / CVE-2026-48448
Painel mensal de sinal verificado — Base: 55 fatos verificados com data no período para o Paraguai.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição por eixo de ameaça agosto de 2026 · Paraguai Cada fato entra em apenas um eixo, por isso a soma é exatamente 55. "Incidentes sem tipificação" é o restante. Sem classificar 20 Fraude 11 Regulação 11 Incidentes 11 Vulnerabilidades 2
Distribuição por eixo de ameaça — Cada fato é atribuído a um único eixo conforme sua tipificação; a soma fecha com os 55 fatos do período.
MÓDULO FIXO MENSAL Distribuição setorial do sinal agosto 2026 · Paraguai Base: 55 casos do período · soma 69 porque 12 casos se classificam em mais de um setor. Setor público / OIV 29 Outros / sem setor ident… 15 Finanças 14 Telecom 5 Tecnologia 4 Energia 2
Distribuição setorial do sinal — Classificação heurística por setor da vítima. Um caso pode afetar mais de um setor, então a soma pode superar a base.
MÓDULO FIXO MENSAL Infraestrutura crítica no Paraguai agosto de 2026 · Paraguai 12 de 55 fatos do período envolvem infraestrutura crítica. Um fato pode aparecer em mais de uma categoria. Setor público / governo 29 Energia / utilities 35 Telecom / conectividade 4
Infraestrutura crítica no Paraguai — Fatos verificados sobre setor público, utilities e serviços essenciais

Resumo executivo do mês no Paraguai

Agosto de 2026 deixou no Paraguai 55 fatos verificados de cibersegurança, com uma mudança clara em relação a julho, desapareceu o sinal de ransomware primário, aumentaram os golpes e os casos de phishing documentados, e se multiplicaram os movimentos regulatórios. O mês foi dominado por esvaziamentos de contas, fraudes de falsificação de identidade e debate normativo, com severidade operacional média alta pela concentração de casos financeiros e pela persistência de campanhas de engenharia social.

O caso mais visível foi o esvaziamento da conta da deputada Rocío Vallejo, que resultou em detenções, buscas e uma série de explicações técnicas sobre trojans, RAT e páginas clonadas de home banking. A esse episódio se somaram outros roubos bancários, falsas multas de trânsito, um golpe com criptomoedas e alertas oficiais sobre phishing contra portais do Estado e canais de investimento digital. A maior parte desses fatos teve confirmação direta das fontes, embora vários detalhes técnicos tenham permanecido no campo da hipótese jornalística ou policial.

Em paralelo, a frente regulatória ganhou força. A DNIT avançou com a Resolução Geral N.º 47/2026 sobre criptoativos, enquanto o Congresso manteve aberto o projeto de Lei de Cibersegurança e circularam análises sobre a Lei N.º 7.593/2025 de Proteção de Dados Pessoais, ainda sem plena vigência. O sistema paraguaio mostra, assim, um quadro de maior pressão regulatória, mas também de vazios operacionais que continuam pesando sobre a resposta institucional.

A leitura dominante do mês é que o risco não esteve em uma campanha única e concentrada, mas na convivência de fraude bancária, falsificação de portais, phishing, tensões regulatórias e vulnerabilidades críticas em software de uso واسع.

Agosto de 2026 no ParaguaiRocío VallejoesvaziamentoFalsa multa detrânsitoDDoSreivindicadosDNITcriptoativosLei de dadospessoaisCasosfinanceiros,phishing estatale pressãoregulatóriamarcaram o mês.

Agosto de 2026 no Paraguai, marcos de cibersegurança — Sequência dos fatos verificados mais visíveis do mês, com foco em fraude, regulação e alertas críticos.

Panorama nacional do mês no Paraguai

O Paraguai encerrou agosto com um sinal de risco médio-alto, com base no volume e na natureza dos fatos verificados: 11 fraudes ou phishing documentados, 11 movimentos regulatórios e 11 incidentes sem tipificação, em um mês sem ransomware confirmado como eixo primário. O retrato é de um ecossistema em que o dano mais visível se concentrou em contas bancárias, identidades digitais e canais de confiança, mais do que em criptografia ou extorsão clássica.

O peso dos casos financeiros foi notável. O mês começou com o caso Vallejo e continuou com outra empreendedora afetada, um relatório de desvio em uma firma médica, um fraude com criptomoedas e vários alertas sobre multas falsas, sites clonados e campanhas de phishing. Em termos operacionais, isso deixa um padrão de abuso de credenciais e engenharia social que supera, em visibilidade, o restante dos eventos do período.

A discussão regulatória também teve papel central. Houve atividade sobre cibersegurança, dados pessoais, criptoativos, comércio eletrônico e intercâmbio de informações entre órgãos, mas sem que isso fechasse a lacuna de um marco setorial robusto para resposta. Na prática, o resultado é maior pressão de conformidade sobre atores financeiros e digitais, com regras mais densas, mas não necessariamente com mais capacidade de detecção ou contenção.

No contexto regional, a agenda paraguaia se assemelhou à de outros mercados da região, onde phishing bancário, golpes por mensageria e a regulação de ativos digitais avançam ao mesmo tempo. A diferença neste mês foi que o Paraguai exibiu sinais mais intensos de debate normativo interno e uma exposição pública muito alta em torno de banco online e portais estatais.

Indicadores do período no Paraguai

Indicador Agosto 2026 Mês anterior Variação
Fatos verificados do período 55 51 +4
Janela temporal dos indicadores 55 fatos com data em agosto 2026 51 fatos com data em julho 2026 N/A
Incidentes sem tipificação (brechas ou interrupções) 11 15 -4
Casos com ransomware ou extorsão como eixo primário 0 11 -11
Desdobramento de ransomware por tipo de impacto Sem casos de ransomware tipificáveis no período Sem casos tipificáveis N/A
Casos de fraude ou phishing documentados 11 0 +11
Movimentos regulatórios documentados 11 1 +10
CVEs críticos mencionados 3 Sem dado comparável N/A
Setores com pelo menos um fato documentado 5 6 -1
Ameaça predominante do mês Sem classificação (20 de 55 fatos) Sem classificação (19 de 51 fatos) +1 fato
Fatos com confirmação direta da fonte 69% Sem dado comparável N/A

Incidentes relevantes no Paraguai

Esvaziamento da conta de Rocío Vallejo e investigação policial

O incidente mais visível do mês foi o esvaziamento da conta da deputada Rocío Vallejo, com subtração superior a 35 milhões de guaraníes, investigação fiscal e policial, um detido e referências a possível malware trojan ou RAT. A fonte não fechou uma única atribuição técnica, mas confirmou o impacto financeiro, a apuração em andamento e a hipótese de uma página clonada de home banking.

A sequência incluiu a detenção de um suspeito, uma operação em San Lorenzo e explicações públicas sobre como atuam trojans, capturadores de credenciais e janelas pop-up falsas. O caso virou a referência do mês para todo o sistema financeiro, não só pelo valor, mas pela forma como expôs a fragilidade do acesso web e a dependência de credenciais e tokens.

Data Fato Impacto Status
3 a 4 de agosto Esvaziamento da conta de Rocío Vallejo Mais de 35 milhões de guaraníes Confirmado e investigado
4 de agosto Detenção de um suspeito vinculado Resposta operacional Confirmado
6 de agosto Operação em San Lorenzo Avanço da investigação Confirmado

Phishing bancário e segunda vítima reportada em agosto

O mês não se limitou ao caso Vallejo. Também foi reportada uma empreendedora que perdeu 43 milhões de guaraníes após acessar uma página que imitava a do banco, e circularam explicações sobre outro esvaziamento que assumiu a forma de uma réplica quase perfeita do site oficial. O padrão técnico foi consistente: credenciais capturadas em um ambiente falso, posterior transferência de fundos e reação tardia da vítima.

A repetição do vetor sugere que o problema principal não foi um único malware, mas a combinação de sites clonados, engenharia social e canais de pagamento ou verificação mal explorados pelos atacantes. Na prática, isso coloca bancos e usuários diante de um risco de suplantação, mais do que de uma intrusão sofisticada na infraestrutura central.

Multas de trânsito falsas e suplantação do Portal Paraguay

Diario HOY e outras fontes descreveram uma campanha de falsas multas de trânsito por e-mail e SMS, e o MITIC também alertou sobre um site fraudulento que suplantava o Portal Paraguay para capturar dados de pessoas interessadas em receber Tekoporã. São duas variantes do mesmo problema, phishing de confiança institucional, com o Estado usado como marca para legitimar o golpe.

Esses casos mostram que a fraude não ficou concentrada só na banca online. Ela também alcançou programas sociais, circulação de notificações falsas e coleta de dados pessoais por meio de formulários que parecem oficiais. A amplitude do vetor é relevante porque estende o risco à população não bancarizada e a trâmites digitais de uso massivo.

Canal fraudulento Alvo suplantado Objetivo Fonte
E-mail e SMS Multas de trânsito Roubar dados ou dinheiro Diario HOY, 1000 Noticias
Site web Portal Paraguay Captura de dados pessoais ABC Color, MITIC
Página bancária clonada Home banking Esvaziamento de contas ABC Color, Hoy, La Tribuna

Desvio de fundos na Copaco e perícia informática

A Promotoria iniciou uma perícia informática no sistema administrativo-financeiro da Copaco por suspeita de desvio de cerca de 1.100 milhões de guaraníes para contas pessoais. Embora o material não permita tipificar o fato como brecha nem como abuso interno com fechamento técnico, ele evidencia possível uso indevido de sistemas e credenciais em uma empresa pública estratégica.

A relevância do caso não está apenas no valor, mas no fato de atingir uma peça de infraestrutura digital sensível para o ecossistema nacional. A Copaco não aparece como apenas mais uma afetada, e sim como uma entidade cuja operação pode ter impacto transversal em serviços e suporte tecnológico.

Ameaças e campanhas ativas no Paraguai

Fraude e phishing bancário

O frente mais ativo do mês foi a fraude bancária baseada em phishing, páginas clonadas e roubo de credenciais. Houve casos concretos com perdas altas, vários relatos coincidentes sobre home banking falso e alertas oficiais sobre como reagir a links, e-mails e formulários suspeitos. A densidade desse eixo explica boa parte do aumento dos fatos documentados em relação a julho.

O ponto operacional não é que o phishing seja novo, mas que neste mês ele teve melhor documentação e impacto econômico mais visível. O caso Vallejo funcionou como gatilho midiático, mas não foi isolado. Os relatos apontam para uma campanha de suplantação de confiança com foco bancário e também estatal.

Hacktivismo e DDoS contra sites do Estado paraguaio

Em agosto circularam relatos de ataques DDoS contra o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria Nacional de Cultura, atribuídos nas redes ao grupo The Garuda Eye e, em um alerta preventivo, tratados como não confirmados pela própria fonte de monitoramento. Não houve evidência pública suficiente para transformar essas atribuições em incidentes operacionais fechados, mas elas permaneceram como sinais de pressão sobre portais governamentais.

Esse bloco se move em um terreno diferente do fraude financeira. Não mostra roubo de dinheiro nem exfiltração confirmada, mas uma campanha de visibilidade política e pressão reputacional. Em termos de leitura de risco, isso obriga a separar o ruído de atribuição nas redes da confirmação técnica de indisponibilidade ou comprometimento.

Ransomware e extorsão

Não foram registrados casos de ransomware tipificáveis no período. Também não houve fatos confirmados de extorsão com criptografia como eixo principal, nem de exfiltração com extorsão simples que pudesse ser sustentada com o material fornecido. O único dado próximo foi uma referência contextual a cooperativas que saíam de um ataque de ransomware, mas a fonte não trouxe detalhes suficientes para incorporá-lo como incidente do mês.

Tipo Status em agosto de 2026 Observação
Criptografia de ativos confirmada Não registrado Sem casos verificáveis no material
Exfiltração sem criptografia Não registrado Sem tipificação suficiente
Menção em leak site Não registrada Não houve caso documentado

Vulnerabilidades críticas com impacto no Paraguai

Em agosto, o material citou três CVEs críticos, todos em produtos de uso amplo fora do país, mas relevantes para ambientes paraguaios pela exposição técnica e institucional. Não houve exploração confirmada no Paraguai a partir desses alertas, embora existam referências oficiais e técnicas que justificam monitoramento pelo possível impacto em redes corporativas e governamentais.

CVE Software Exploração Fonte
CVE-2026-77537 UniFi Protect Application Injeção de comandos, RCE remota sem autenticação CERT.LV, Ubiquiti, SCWorld, Mallory.ai
CVE-2026-77550 UniFi OS Server Bypass de autenticação por CRLF injection, acesso remoto sem privilégios Canadian Centre for Cyber Security, Mallory.ai
CVE-2026-77554 UniFi Talk Application Injeção de comandos, RCE crítica CVSS 10.0 OpenCVE, CERT.LV, Ubiquiti

O sinal mais forte veio da Ubiquiti, que publicou o Advisory Bulletin 067 com 22 vulnerabilidades na família UniFi, incluindo três falhas de severidade máxima. Também houve avisos sobre Samba e Joomla, mas o material do mês não permitiu associá-los a incidentes paraguaios confirmados. Ainda assim, para equipes locais, são correções que não devem ficar fora do ciclo de remediação.

Regulação e conformidade no Paraguai

O mês foi marcado por uma expansão regulatória em três frentes, dados pessoais, criptoativos e cibersegurança. A Lei N.º 7.593/2025 apareceu repetidamente em análises jurídicas e de compliance, enquanto a DNIT colocou em vigor a Resolução Geral N.º 47/2026 sobre operações com criptoativos e o Congresso manteve ativo o projeto de Lei de Cibersegurança. O sinal de fundo é mais regulação, mas também mais atrito sobre alcance, proporcionalidade e prazos de aplicação.

Norma ou iniciativa Situação em agosto de 2026 Ponto relevante
Lei N.º 7.593/2025 de Proteção de Dados Pessoais Promulgada, ainda não plenamente vigente Prevê sanções e cria a ANPDP sob o MITIC
Resolução Geral DNIT N.º 47/2026 Vigente Obriga a declarar operações com criptoativos no Marangatu
Projeto de Lei de Cibersegurança Em estudo Continua pendente de tramitação parlamentar
Atualização da lei de comércio eletrônico Em redação Incorpora IA, cibersegurança e vendas digitais

A Lei N.º 7.593/2025 foi descrita como inspirada em padrões do tipo GDPR e com multas que, segundo a análise citada, vão de 20 a 2.500 jornales mínimos, com faixas maiores para dados sensíveis e menores de idade. O dado central de agosto é que a norma ainda não estava plenamente em vigor, o que mantinha aberto o vazio operacional enquanto seus efeitos práticos eram discutidos.

A DNIT, por sua vez, avançou com uma obrigação anual de declaração informativa para criptoativos, com primeira entrega em março de 2027 e limite de USD 5.000 para definir quem deve informar. O debate jurídico foi intenso: questionou-se a necessidade e a proporcionalidade dos dados exigidos, e as exchanges pediram uma mesa técnica antes do prazo final. Isso transforma a regulação em tema de cibersegurança e privacidade, não apenas tributário.

Em paralelo, o projeto de Lei de Cibersegurança seguiu em revisão técnica e institucional, com críticas a definições amplas, sobreposição de conceitos e dúvidas sobre infraestrutura crítica. A audiência pública terminou em uma nova mesa de trabalho, sinal de que o texto ainda não tinha consenso suficiente.

Movimento regulatório, agosto de 2026Fatos verificados por bloco temático1111115DadosproteçãoCriptoativosCibersegurançaComércioe bancos

Movimento regulatório no Paraguai, agosto de 2026 — Quantidade de iniciativas e normas em destaque por bloco temático, apenas com fatos verificados do período.

Setores mais afetados no Paraguai

O setor financeiro voltou a ser o mais exposto do mês, mas não por um único tipo de incidente. Houve acúmulo de esvaziamento de contas, phishing, alertas de internet banking, fraude com criptomoedas e pressão regulatória sobre intermediários. A banca tradicional, as cooperativas e os serviços de pagamento apareceram atravessados pelo mesmo padrão, abuso de credenciais e falsificação de interfaces.

O segundo bloco de maior impacto foi o setor público. Ali conviveram ataques de phishing contra portais estatais, DDoS reivindicados contra sites governamentais, discussões sobre proteção de dados e a implementação de controles tributários sobre criptoativos. Em outras palavras, a superfície de ataque não se limitou aos bancos, mas alcançou o aparato estatal como marca de confiança e como infraestrutura de serviço.

Um terceiro frente, de menor volume mas alto valor estratégico, foi o de telecomunicações e sistemas corporativos, com o caso Copaco como referência. Não houve fatos suficientes para falar em uma crise sistêmica nesse setor, mas houve uma intervenção fiscal em sistemas internos que merece acompanhamento.

A distribuição setorial do mês sugere uma concentração em confiança digital mais do que em infraestrutura crítica pura. Os fatos mais danosos para usuários e organizações se apoiaram em engano, clonagem de sites e captura de credenciais, não em malware destrutivo nem na exploração massiva de vulnerabilidades locais.

Tendências e sinais para monitorar no Paraguai

A comparação com julho mostra três mudanças fortes: menos incidentes sem classificação, desaparecimento do eixo ransomware/extorsão e uma alta nos fraudes e phishing documentados. Esse deslocamento não significa que o país esteja "melhor", mas que o dano visível migrou para a engenharia social, o fraude bancário e a regulação, com uma agenda de resposta mais distribuída e menos centrada em um único incidente grande.

Também cresceu com força a atividade regulatória. Ela passou de 1 movimento documentado em julho para 11 em agosto, com foco em dados pessoais, criptoativos, cibersegurança e comércio eletrônico. Isso sugere que o Estado tenta fechar lacunas, mas a discussão aberta sobre proporcionalidade, competência e vacatio legis mostra que o marco ainda não está estabilizado.

A ameaça predominante continuou sendo "sem classificar", embora com um caso a mais que em julho. Isso não indica vazio analítico, e sim diversidade real de eventos que não cabem em uma única taxonomia. Em agosto houve fraude demais, regulação demais e atribuição incerta demais para condensar o mês em uma só família técnica.

Em termos de monitoramento, vale acompanhar três sinais: se voltarem a surgir casos de ransomware em cooperativas ou entidades críticas, se a DNIT ajustar a resolução sobre criptoativos por pressão operacional e se o projeto de Lei de Cibersegurança incorporar definições mais precisas sobre infraestrutura crítica e competência institucional. O mês deixou claro que o custo da desorganização normativa chega rápido ao usuário final e ao setor financeiro.

Recomendações para equipes de segurança no Paraguai

Revisar controles de autenticação e antiphishing em bancos web e portais de atendimento, com foco na detecção de sites clonados, validação de domínios e reforço de segundas telas ou fluxos de token. Os casos do mês mostram que o vetor dominante foi a falsificação de interfaces, não a força bruta.

Endurecer a resposta a fraudes com procedimentos simples e públicos: bloqueio imediato de acessos, canal único de denúncia, preservação de evidências e coordenação com a Polícia, a Promotoria e o CERT-PY. Em paralelo, treinar usuários e operadores para reconhecer e-mails, SMS e formulários que imitam o Estado ou uma instituição financeira.

Priorizar patches em ambientes com Ubiquiti, Samba e Joomla, especialmente quando houver exposição de administração remota ou uso em redes corporativas e governamentais. Embora o material não tenha confirmado exploração no Paraguai, os alertas publicados em agosto tiveram severidade suficiente para entrar sem demora no ciclo de manutenção.

Revisar o tratamento dos dados coletados em obrigações tributárias e regulatórias, sobretudo em criptoativos. A discussão sobre necessidade e proporcionalidade não é abstrata, afeta operadores, exchanges e equipes jurídicas, e pode acabar impactando arquitetura, retenção e rastreabilidade de dados.

Prioridade Ação Área afetada
Alta Validar domínios e formulários oficiais Banca, Estado
Alta Aplicar patches em Ubiquiti, Samba e Joomla Infraestrutura de TI
Média Revisar retenção e minimização de dados Compliance
Média Formalizar playbooks de fraude Atendimento ao cliente, SOC

Perguntas frequentes

O que mudou no Paraguai entre agosto e julho de 2026?

Agosto teve menos incidentes sem tipificação, caiu de 15 para 11, e eliminou o sinal de ransomware primário que havia aparecido em julho. Ao mesmo tempo, fraudes e phishing subiram de 0 para 11, e a atividade regulatória, de 1 para 11. A transição é comentada nas seções de Indicadores e Tendências.

O mês mostrou ransomware confirmado no Paraguai?

Não. O material de agosto não permitiu tipificar nenhum caso de ransomware ou extorsão como eixo primário. Houve uma menção contextual a cooperativas saindo de um ataque de ransomware, mas isso não foi suficiente para incorporá-lo como incidente verificável do período. Esse ponto é desenvolvido em Ameaças e campanhas ativas e em Limitações do material.

Que risco ficou mais visível para bancos e usuários paraguaios?

O fraude por phishing e a falsificação de bancos web. O caso Vallejo, a empreendedora que perdeu 43 milhões, e os alertas sobre sites clonados mostram um padrão de roubo de credenciais e esvaziamento de contas. A leitura operacional está desenvolvida em Incidentes relevantes, Ameaças ativas e Setores mais afetados.

Qual é a relação entre a lei de dados pessoais e a resolução de criptoativos?

A Lei N.º 7.593/2025 estabelece um marco de proteção de dados que ainda não está plenamente em vigor, enquanto a DNIT exige desde agosto de 2026 uma declaração informativa de operações com criptoativos. As duas peças pressionam uma revisão de proporcionalidade, minimização e rastreabilidade dos dados. Isso é tratado em Regulação e conformidade.

Quais vulnerabilidades as equipes paraguaias deveriam monitorar, mesmo sem exploração local confirmada?

As três CVEs críticas ligadas à Ubiquiti, CVE-2026-77537, CVE-2026-77550 e CVE-2026-77554, pela capacidade de execução remota sem autenticação ou por bypass de autenticação. Também vale acompanhar os alertas sobre Samba e Joomla. A tabela técnica está na seção de Vulnerabilidades críticas com impacto no Paraguai.

Quais setores ficaram mais expostos em agosto?

Principalmente o financeiro, pela concentração de fraudes, phishing e esvaziamentos de contas, e o setor público, pelos alertas de falsificação de portais, DDoS reivindicados e novas regulações. Um terceiro foco foi telecomunicações e sistemas corporativos, com o caso Copaco. A análise está em Setores mais afetados no Paraguai.

Limitações do material

Este relatório foi construído exclusivamente com os fatos datados de agosto de 2026 incluídos no material fornecido. Os indicadores reproduzem essa janela temporal e não incorporam telemetria agregada, tentativas bloqueadas nem sinais externos não documentados no corpus.

Um valor zero, em particular em CVEs ou ransomware, significa que não apareceu um caso tipificável no material analisado para este período, e não que não tenha havido atividade no Paraguai ou na região. Essa distinção é fundamental para ler corretamente os indicadores e evitar extrapolações indevidas.

Foram excluídas como evidência as publicações em redes sociais não corroboradas por fontes utilizáveis, os conteúdos patrocinados e qualquer material que não estivesse na lista de fontes permitidas. Também se evitou tratar como fato firme aquilo que as próprias fontes apresentaram como hipótese, atribuição não confirmada ou alerta preventivo.

Fontes