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Paraguai acelera controles financeiros

BCP, DNIT e Diputados avançaram em valores, criptoativos e cibersegurança, enquanto a ueno voltou a se diferenciar em software.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IA19 de ago. de 20264 min de leitura

O Paraguai fechou uma semana de ajustes regulatórios no sistema financeiro e digital. O BCP reforçou a supervisão do mercado de valores e colocou em operação uma plataforma única de registro; a DNIT avançou com mais rastreabilidade fiscal e criptoativos; e a Câmara de Deputados abriu uma nova mesa para o projeto de lei de cibersegurança, em meio a reservas sobre mudanças no texto.

¿O que o BCP mudou no mercado de valores?

O Banco Central do Paraguai reforçou as atribuições da Superintendência de Valores e colocou em operação uma plataforma digital única para o registro de fundos patrimoniais de investimento e ações escriturais, no âmbito da Lei N.º 7572. Desde 3 de abril de 2025, esses instrumentos devem ser registrados exclusivamente por esse sistema.

A autoridade monetária afirmou que o objetivo é unificar e modernizar um marco regulatório que antes estava espalhado por sete leis. A medida faz parte de um processo mais amplo de transformação normativa do ecossistema financeiro paraguaio e amplia o alcance de supervisão, regulação e fiscalização sobre o mercado de valores.

¿Como mudou a rastreabilidade sobre fundos e custodians?

A Caja de Valores do Paraguai, sob supervisão da Superintendência de Valores do BCP, consolidou no início de 2026 a segregação de funções com a Bolsa de Valores de Assunção e passou a responder integralmente pelas tarefas de pós-negociação por meio da plataforma tecnológica Montran.

Além disso, informou ativos em custódia de cerca de US$ 6,6 bilhões no primeiro semestre e o desenvolvimento de novos produtos, como CDA imobilizados e um contrato futuro de moedas em coordenação com o regulador. Em paralelo, a imprensa econômica local informou que o ueno bank registrou saldo líquido de aproximadamente G. 761.444 milhões na conta Bens Intangíveis, Sistemas no primeiro semestre de 2026, após um investimento em software superior a G. 654.799 milhões no último ano. Segundo o ABC Color, esse patrimônio tecnológico é cerca de três vezes maior que a soma dos investimentos em software de nove bancos concorrentes sob a mesma classificação contábil.

O ABC Color acrescentou que, após a Resolução SB.SG. N.º 00105/24 do BCP, a categoria Investimentos Maiores fica reservada para sistemas cuja vida útil se busca estender para além de cinco anos, e que o regulador determina que o software desenvolvido internamente só pode ser ativado contabilmente a partir da fase de desenvolvimento, com um critério mais restritivo para capitalizar projetos internos de TI.

¿O que a DNIT está pedindo a contribuintes e operadores de cripto?

A Direção Nacional de Ingressos Tributários lançou um projeto de digitalização que permite aos bancos acessar declarações juradas diretamente da fonte tributária, desde que exista autorização expressa do contribuinte, e acrescentou novas funções no Marangatu para verificar online se um comprovante de compra já consta no Registro de Comprovantes.

Esse controle busca detectar registros duplicados e reforçar a fiscalização sobre notas fiscais, embora a própria DNIT tenha esclarecido que o resultado da consulta é apenas referencial e não certifica por si só a legitimidade da operação nem substitui uma fiscalização.

Em criptoativos, a Resolução Geral N.º 47/2026 definiu que a primeira Declaração Jurada Informativa corresponderá ao exercício fiscal de 2026 e deverá ser apresentada em março de 2027 pelo Marangatu. A obrigação atinge plataformas que operem no Paraguai e pessoas físicas ou jurídicas residentes que realizem operações anuais com criptoativos acima de US$ 5.000, incluindo operações sem intermediários ou por meio de plataformas do exterior.

Uma análise jurídica posterior indicou que a declaração deve incluir data e hora da operação, identificação das partes envolvidas ou endereços públicos de carteiras, denominação e rede do criptoativo, quantidade operada até a décima casa decimal, valor bruto em dólares, comissões, gas fees, hash da transação e endereços de origem e destino. Essa mesma análise ressaltou que a administração tributária precisa justificar a necessidade e a proporcionalidade de cada dado diante dos padrões de proteção de dados pessoais.

¿O que aconteceu com a lei de cibersegurança?

A audiência pública sobre o projeto de Lei de Cibersegurança no Paraguai terminou com a decisão de abrir uma nova mesa de trabalho, depois que várias instituições públicas e privadas apontaram reservas porque haviam preparado suas observações sobre uma versão anterior do texto.

Segundo a cobertura parlamentar, na sessão foi apresentada uma redação diferente da que os convidados haviam analisado e várias instituições optaram por se abster de opinar. A nova mesa vai revisar o conteúdo atualizado do projeto e voltar a recolher contribuições dos setores público e privado.

Fontes

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