Chile reforça controles contra fraude financeira
Banco Central, SERNAC e ABIF montam mesa contra fraudes. País também avança em regras para stablecoins e dados pessoais.
Em agosto, o Chile acelerou medidas regulatórias e de coordenação para enfrentar o fraude financeiro, com uma mesa público privada contra delitos transnacionais, um alerta do Banco Central sobre o aumento contínuo de fraudes em meios de pagamento desde 2024, uma proposta de regulação para stablecoins e a proximidade da vigência plena da Lei 21.719 de Proteção de Dados Pessoais.
Em agosto, o Chile acelerou a resposta ao fraude financeiro com uma mesa público privada contra delitos transnacionais, um alerta do Banco Central sobre o aumento contínuo de fraudes em meios de pagamento desde 2024, uma proposta regulatória para stablecoins e a proximidade da vigência plena da Lei 21.719 de Proteção de Dados Pessoais.
O que aconteceu com o fraude em meios de pagamento?
O Banco Central do Chile informou, em seu Informe de Sistemas de Pagamento, que as taxas de fraude em meios de pagamento vêm subindo de forma contínua desde 2024, e que o cartão de débito é o instrumento com maior persistência de incidentes em compras online. O alerta foi divulgado junto com notas da imprensa que retomaram o mesmo relatório e chamaram atenção para novas fraudes em pagamentos digitais.
A CNN Chile, citando o informe do banco central, apontou que o crescimento do uso de pagamentos digitais vem ocorrendo ao mesmo tempo em que surgem novas modalidades de estafa. A Fayerwayer, também a partir do relatório do Banco Central, destacou que o cartão de débito concentra o maior risco em compras online.
Que coordenação pública e privada foi lançada?
Autoridades chilenas e entidades do sistema financeiro concordaram em criar a Mesa Nacional contra o Fraude Financeiro Transnacional para coordenar prevenção, detecção e perseguição desse tipo de crime. A iniciativa também busca impulsionar reformas legislativas, aperfeiçoar o marco regulatório e desenvolver estratégias públicas de prevenção e comunicação.
Segundo o SERNAC, assinaram o convênio órgãos públicos como o Ministério Público, a Agência Nacional de Cibersegurança, a CMF, o SII, a UAF e o próprio serviço, além de atores do setor privado e acadêmico. A ABIF acrescentou que também participam BancoEstado, a Associação de Bancos, a Associação de Varejo Financeiro e a NIC Chile. A entidade destacou que a mesa pretende reduzir a incidência de delitos econômicos e financeiros transnacionais.
O que muda para stablecoins?
O Banco Central do Chile colocou em consulta um novo marco regulatório para stablecoins, que definirá condições para sua emissão no país como meio de pagamento. Claudio Raddatz, gerente da Divisão de Política Financeira, afirmou que o objetivo é ter um marco normativo pronto no próximo ano, com uma proposta prevista para o fim deste ano.
Raddatz também disse que o trabalho contará com assistência técnica do Fundo Monetário Internacional no segundo semestre. Na mesma entrevista, o Banco Central afirmou que sua atuação regulatória vai se concentrar em iniciadores de pagamento que assumem compromissos de pagamento ou retêm fundos do público, o que deixa de fora usos puramente tecnológicos sem captação de recursos.
Como entra a proteção de dados nesse quadro?
A Lei 21.719 de Proteção de Dados Pessoais, publicada em dezembro de 2024, entrará em plena vigência em 1º de dezembro de 2026 e reforçará os direitos dos titulares, além de criar a Agência de Proteção de Dados Pessoais e novas responsabilidades para organizações que tratam dados pessoais, incluindo as entidades financeiras.
Esse novo ambiente regulatório se cruza com o frente do fraude e com o trabalho da Mesa Nacional, porque bancos, varejo financeiro e supervisores terão de ajustar políticas de tratamento de dados, governança interna e prevenção de incidentes em um contexto de maior pressão sobre meios de pagamento e serviços digitais.
Houve sanções recentes da CMF?
A Comissão para o Mercado Financeiro sancionou a Nevasa S.A. Corredores de Bolsa com multa de 6.000 UF por infrações ao artigo 59, letra g), da Lei 18.045, em relação à Norma de Caráter Geral N° 18 e à Circular N° 695, por ter entregue informações falsas sobre sua situação financeira.
Esse caso adiciona mais uma frente regulatória ao mercado de valores chileno, em uma semana marcada pela convivência entre anúncios de novas regras para pagamentos digitais, coordenação contra o fraude e a proximidade de obrigações mais amplas em proteção de dados.
Fontes
- Ciberseguridad: Aumentan las estafas en tarjetas de débitofayerwayer.com· Fayerwayer
- Los mejores bancos de Chile en 2026: ranking, tasas y ...agenciadeprensa.cl· Agencia de Prensa Chile
- Organismos públicos y del sector privado financiero crean Mesa Nacional contra el Fraude Financiero Transnacionalabif.cl· ABIF
- Postergar la Ley de Datos Personales: un síntoma, no una ...trendtic.cl· TrendTIC
- CMF sanciona a corredora de bolsa por proporcionar información falsa sobre su situación financieradiarioestrategia.cl· Diario Estrategia
- Autoridades firman convenio que permitirá constituir una Mesa Nacional contra el Fraude Financiero Transnacionalsernac.cl· SERNAC
- Claudio Raddatz, del Banco Central: "Aspiramos a generar las condiciones para que exista interoperabilidad en pagos instantáneos"chocale.cl· Chócale
- Informe de Sistemas de Pagobcentral.cl· Banco Central de Chile
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