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Uruguai: BCU amplia controles financeiros

BCU vai digitalizar o pedido para provedores de ativos virtuais e exigir declaração jurada antes de novas atividades de captação.

Whalemate Labs · Pesquisa assistida por IAPublicado:Atualizado 4 min de leitura

O Banco Central do Uruguai vai habilitar, a partir de setembro de 2026, um trâmite 100% online para provedores de serviços de ativos virtuais, além de exigir uma declaração jurada para novas atividades de captação.

Atualização 31 de agosto de 2026: o BCU acrescentou dados de supervisão que mostram maior intensidade de controle em 2025. A UIAF recebeu 1.080 relatos de operações suspeitas, a Superintendência de Serviços Financeiros fez 73 inspeções in loco e resolveu 113 reclamações contra instituições financeiras.

O Banco Central do Uruguai anunciou que, a partir de setembro de 2026, vai habilitar um procedimento 100% online para que os Provedores de Serviços de Ativos Virtuais solicitem a autorização e o registro necessários para operar sob o novo marco regulatório de ativos virtuais. A medida busca simplificar o trâmite diante do órgão e se soma a outras mudanças recentes no esquema uruguaio de conformidade financeira.

O que o BCU habilitou para os provedores de ativos virtuais?

O BCU vai disponibilizar um trâmite totalmente digital para que os Provedores de Serviços de Ativos Virtuais possam pedir autorização e registro. A implementação foi informada com vigência prevista para setembro de 2026, segundo a comunicação divulgada pelo órgão e reproduzida por Ámbito.

A novidade surge em um contexto em que o Uruguai vem ajustando sua regulação sobre atividades financeiras supervisionadas. De acordo com a Global Tax Uruguay, as sociedades que realizam atividades financeiras reguladas devem cumprir licenças financeiras e ficar sob supervisão do Banco Central, além de requisitos de capital mínimo, governança corporativa, relatórios periódicos e obrigações de transparência.

O que exige a nova declaração jurada do BCU?

A Comunicação N.º 2026/116 estabelece que quem começar a realizar atividades de captação de recursos do público depois de sua entrada em vigor deve apresentar uma declaração jurada antes de iniciar as operações. Segundo a Guyer & Regules, isso configura uma condição de entrada no mercado semelhante à exigida de entidades financeiras formais.

A exigência alcança novos atores que busquem entrar no mercado depois que a norma estiver vigente e reforça o esquema de controle prévio do Banco Central. Na prática, o órgão acrescenta uma etapa formal antes do início da atividade, em linha com o nível de supervisão que já vale para outras entidades financeiras.

O que mostram os dados de supervisão e denúncias de 2025?

A Superintendência de Serviços Financeiros do BCU registrou 73 ações de supervisão in loco em 2025, 593 denúncias ligadas ao setor financeiro e 113 reclamações resolvidas contra instituições financeiras. Em paralelo, a UIAF recebeu 1.080 relatórios de operações suspeitas, 12% a mais que em 2024, quando havia recebido 964.

De acordo com a Memória Anual 2025, esses 1.080 ROS representam o maior número já registrado desde que existe a obrigação de reportar operações incomuns. A cobertura da imprensa uruguaia também indicou que a tendência vem em alta desde 2021, o que coloca o salto de 2025 como parte de uma sequência contínua.

Entre as 113 reclamações resolvidas pelo BCU, 73% foram contra bancos e 23% contra administradoras de crédito, segundo El Observador. O relatório também apontou que os temas mais frequentes foram desconhecimento de operações, informações da Central de Riscos de Crédito, operações com cartões de crédito, divergências sobre cobrança de comissões ou encargos e notificações de mudanças contratuais.

Como se distribui o aumento dos relatos suspeitos?

Dos 1.080 ROS de 2025, 972 foram enviados por entidades financeiras e 108 por entidades não financeiras, segundo La Diaria. A Memória da UIAF e da SSF detalha ainda que o setor financeiro apresentou 973 relatórios e o não financeiro, 107, diferença metodológica pequena entre os registros recebidos e processados.

O recorte setorial mostrou que, dentro do setor financeiro, os bancos concentraram 765 relatórios e os emissores de dinheiro eletrônico, 118. No setor não financeiro, sete em cada dez ROS vieram de tabeliães, cassinos, imobiliárias, promotores imobiliários e construtoras, de acordo com a informação citada por Prensa Latina.

O que aconteceu com o segredo bancário na Rendição de Contas?

Na Rendição de Contas de 2026, foi discutido um artigo que permitia às entidades supervisionadas pelo Banco Central compartilhar informações protegidas por confidencialidade ou segredo bancário com suas matrizes, filiais, subsidiárias ou outras entidades do grupo econômico, dentro ou fora do Uruguai, para prevenir lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. No entanto, a mudança voltou a cair e não foi aprovada.

Ámbito informou que a iniciativa não avançou no Parlamento, e a diaria afirmou que a Câmara de Deputados tratou do tema em uma discussão que gerou controvérsia política. A proposta buscava autorizar a troca de informações entre entidades vinculadas do mesmo grupo econômico, mas o artigo não foi incorporado.

Como isso se cruza com o regime financeiro uruguaio?

O ponto central é que o Uruguai está reforçando, de um lado, os caminhos de registro e autorização para novos atores, como os provedores de serviços de ativos virtuais, e, de outro, mantém sem mudanças o segredo bancário após o fracasso legislativo da Rendição de Contas. Em paralelo, o marco de supervisão financeira continua exigindo licenças, controles e relatórios das entidades reguladas.

A combinação dessas normas deixa os operadores financeiros e de ativos virtuais sob um ambiente de conformidade mais formalizado, com o BCU como autoridade central na autorização e no controle. Nesse esquema, as obrigações de transparência mencionadas pela Global Tax Uruguay incluem também o registro de beneficiários finais acessível às autoridades competentes.

Em sua Memória 2025, a Superintendência de Serviços Financeiros também destacou a aprovação de uma nova Estratégia Nacional contra a Lavagem de Ativos e o Financiamento do Terrorismo com horizonte até 2030. Esse marco institucional ajuda a explicar o aumento dos relatos suspeitos e a intensificação da supervisão no sistema financeiro uruguaio.

Fontes

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