Warlock explorou SharePoint e atacou crítica
Symantec atribui ao Warlock uma intrusão via SharePoint local, com roubo de chaves ASP.NET, evasão de defesa e propagação via SYSVOL.
Symantec e Carbon Black reconstruíram uma intrusão de julho de 2026 atribuída a Longlegs, também rastreado pela Microsoft como Storm-2603, na qual o Warlock teria entrado por uma implantação local de SharePoint, provavelmente pela cadeia ToolShell. A operação combinou um web shell no diretório LAYOUTS, roubo de chaves de máquina ASP.NET, execução de payloads assinados e abuso de um gadget de desserialização baseado em System.Workflow.ComponentModel para obter execução de código dentro do application pool do SharePoint.
A intrusão seguiu uma sequência nítida. Em 24 de julho, surgiram comandos de reconhecimento de domínio e ferramentas de preparação de persistência. Depois, no dia 27, uma equipe fez uma solicitação a um subdomínio de oastify.com, consistente com um teste out-of-band ou uma verificação de vulnerabilidade. Em 28 de julho, os atacantes executaram PowerShell codificado em Base64, carregaram System.Workflow.ComponentModel e usaram msiexec para baixar três pacotes MSI de catbox.moe e wasabisys.com. Entre 28 e 29 de julho, adicionaram repetidamente a conta SPSEPRDSetup ao grupo Administrators em três máquinas, enquanto o NetExec foi usado para enumeração de Active Directory, password spraying e execução remota.
Em 29 de julho, instalaram um túnel do Visual Studio Code Insiders como serviço, o que a Symantec descreveu como mecanismo de persistência e acesso remoto oculto. No início de 31 de julho, distribuíram a.exe por um compartilhamento interno para encerrar processos de antivírus e EDR, e o binário foi executado em ao menos 40 hosts em cerca de duas horas. Em paralelo, documentaram abuso de K7RKScan, um driver assinado, porém vulnerável, associado à CVE-2025-1055, embora a identidade exata do driver usado na intrusão continue indefinida. No mesmo dia, surgiram run.exe, rune.exe e a nota how to restore your files.txt, com o Warlock implantado em pelo menos 33 hosts depois da desativação das proteções. O ransomware também foi armazenado em SYSVOL, o que facilitou sua propagação entre controladores de domínio.
No plano regional, a cobertura não identifica uma vítima latino-americana concreta. Ela confirma, porém, que as vítimas recentes se distribuem entre organizações de países de língua portuguesa e espanhola da Europa, da África e da América Latina, e que o único país latino-americano citado de forma explícita pela fonte principal é o Brasil, mas dentro de uma lista de atividade prévia do Warlock, não como vítima da campanha recente. O material permite, portanto, falar em exposição regional e em impacto potencial na América Latina, mas não em uma organização brasileira, argentina, chilena ou mexicana especificamente atingida nesta leva.
Resumo executivo
Warlock voltou a aparecer em uma intrusão contra infraestrutura crítica e organizações acadêmicas e governamentais, com uma cadeia que Symantec e Carbon Black reconstruíram a partir de atividade observada entre 22 e 31 de julho de 2026. Segundo a fonte, o acesso inicial teria passado por SharePoint local e pela cadeia ToolShell, mas não há atribuição fechada para cada vítima nem para um CVE específico dentro dessa sequência. A operação terminou com ransomware implantado em pelo menos 33 hosts e com indícios de propagação adicional via SYSVOL e controladores de domínio.
A reconstrução técnica é precisa. Um web shell foi instalado no diretório LAYOUTS do SharePoint em 22 de julho, depois foram obtidas as chaves de máquina ASP.NET da farm, e com elas os atacantes forjaram um payload assinado de forma válida. Em seguida, segundo a análise, usaram um gadget de desserialização baseado em System.Workflow.ComponentModel para obter execução de código dentro do application pool do SharePoint por meio de um payload __VIEWSTATE. A partir daí veio uma fase de reconhecimento de domínio, execução remota, implantação de componentes auxiliares e preparação para neutralizar defesas.
O ponto mais marcante da intrusão é a combinação de persistência encoberta e desativação sistemática de controles. Em 29 de julho, foi instalado um túnel do Visual Studio Code Insiders como serviço, que a fonte interpreta como um canal de acesso remoto oculto. No início de 31 de julho, foi distribuído a.exe, uma ferramenta para encerrar processos de antivírus e EDR, e ele foi executado em pelo menos 40 hosts em cerca de duas horas. Em paralelo, os pesquisadores documentaram o abuso de K7RKScan como técnica BYOVD para matar processos de segurança em nível de kernel. Não foi possível determinar com certeza qual controlador exato foi usado nessa intrusão, embora a família associada seja vinculada à CVE-2025-1055.
O impacto regional exige uma leitura mais cuidadosa do que uma leitura puramente setorial. Symantec e Carbon Black informaram que, nos dois meses anteriores ao relatório, ao menos quatro organizações foram afetadas, uma empresa de água, um provedor de telecomunicações, um órgão governamental regional e uma universidade, todas em países lusófonos e hispanofalantes da Europa, da África e da América Latina. A fonte não divulga nomes de vítimas nem países dessas quatro organizações, portanto não confirma uma vítima latino-americana individual. O Brasil aparece na fonte, mas apenas como país onde já havia sido observada atividade prévia do Warlock. Essa distinção importa, o material permite afirmar alcance regional com presença latino-americana, mas não autoriza identificar uma vítima concreta no Brasil ou em outro país da região.
A leitura operacional para equipes de segurança é direta. SharePoint local continua sendo um vetor explorável quando não está corrigido ou mitigado, ToolShell permanece no arsenal de atores de ransomware e, uma vez que o atacante entra no ambiente, a combinação de web shells, desserialização, túneis remotos, NetExec, BYOVD e distribuição via SYSVOL acelera a tomada do domínio. O material não traz uma lista de vítimas latino-americanas individualizadas, mas há sinais suficientes para priorizar a revisão de SharePoint on-premises, telemetria de PowerShell, uso de msiexec, serviços incomuns do VS Code Insiders, implantação de drivers suspeitos e qualquer distribuição interna de binários via SYSVOL ou compartilhamentos de domínio.
Contexto e antecedentes
A campanha analisada por Symantec e Carbon Black se insere em uma trajetória do Warlock que a própria fonte associa a Longlegs, também rastreado pela Microsoft como Storm-2603. A associação entre esses nomes aparece como atribuição de pesquisadores, não como confirmação estatal fechada. A fonte também descreve o ator como de nexo chinês, mas mantém essa classificação dentro do escopo de inteligência de ameaças, não como afirmação oficial de identidade política ou patrocínio.
O grupo já havia sido observado antes contra organizações dos Estados Unidos, do Brasil, da Índia, da Rússia, de Taiwan e do Japão, de acordo com a mesma cobertura. Essa lista não equivale a uma série de vítimas contemporâneas nem a um recorte de impacto. Serve, sim, para situar o Warlock como um operador com histórico multinacional e capacidade de atacar ambientes heterogêneos, inclusive setores sensíveis. Na leva mais recente, os alvos descritos foram uma empresa de água, um provedor de telecomunicações, um órgão governamental regional e uma universidade.
A fonte principal não diz em que país estava cada organização. Ela esclarece, porém, que as vítimas recentes estavam em países de língua portuguesa e espanhola da Europa, da África e da América Latina. Esse ponto é central para este informe porque evita uma leitura simplificada da presença regional. O dado permite falar em exposição transcontinental com componente latino-americano agregado, mas não em uma organização específica na Argentina, no Chile, no Paraguai, na Bolívia, no Peru, na Colômbia, no México ou no Uruguai.
O vetor inicial provável foi a exploração de SharePoint Server local. A fonte indica a cadeia ToolShell como conjunto de CVE-2025-49704, CVE-2025-49706, CVE-2025-53770 e CVE-2025-53771. Ela também informa que os dois últimos foram variantes de bypass dos patches anteriores e que o problema afetava implementações on-premises. O material acrescenta que a CISA publicou em julho de 2026 um aviso sobre vulnerabilidades mais recentes de SharePoint, e que ToolShell provavelmente continuava no arsenal do grupo. Isso não significa que as quatro vulnerabilidades tenham sido usadas em todas as vítimas recentes, apenas situa o risco persistente nesse produto.
Tabela de fatos-chave
| Data | Fato | Fonte | Confiança |
|---|---|---|---|
| 2026-07-22 | Um web shell foi instalado em um servidor SharePoint, no diretório LAYOUTS e compatível com várias versões do SharePoint. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-24 | Foram observados comandos de reconhecimento como net user /domain, whoami e nltest /domain_trusts, junto com exclusão de arquivos de nomes numéricos e implantação de binários suspeitos. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-27 | Uma equipe fez uma solicitação a um subdomínio de oastify.com, consistente com um teste out-of-band ou detecção de vulnerabilidade. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-28 | Foram executados comandos PowerShell codificados em Base64, carregado System.Workflow.ComponentModel e baixados três MSI de catbox.moe e wasabisys.com via msiexec. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-28 a 2026-07-29 | A conta SPSEPRDSetup foi adicionada repetidamente ao grupo local Administrators em três máquinas e o NetExec foi usado para enumeração, credential spraying e execução remota. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-29 | Foi instalado um túnel do Visual Studio Code Insiders como serviço, descrito como mecanismo de persistência e acesso remoto oculto. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-31 | Foi distribuído a.exe para encerrar processos de antivírus e EDR, com execução em ao menos 40 hosts adicionais em cerca de duas horas. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-07-31 | Surgiram run.exe, rune.exe e a nota how to restore your files.txt, com Warlock implantado em pelo menos 33 hosts. | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black | Confirmado |
| 2026-10-01 | Symantec e Carbon Black publicaram a análise da campanha e a lista de IOCs associados. | Security.com | Confirmado |
| 2026-10-12 | A Microsoft classificou como críticas as atualizações de SharePoint em seu boletim mensal de segurança de outubro de 2026. | Microsoft Security Response Center | Confirmado |
Timeline da operação
| Data | Evento | Ator/vetor | Fonte verificada |
|---|---|---|---|
| 2026-07-22 | Web shell em SharePoint, no LAYOUTS. | Acesso inicial provável por SharePoint local | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-24 | Reconhecimento de domínio e implantação de arquivos suspeitos. | Reconhecimento interno e staging | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-27 | Solicitação a subdomínio de oastify.com. | Possível Burp Collaborator ou detecção de vulnerabilidade | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-28 | PowerShell em Base64, carga de System.Workflow.ComponentModel e download de MSI. | Preparação de payload e pós-exploração | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-28 a 2026-07-29 | Inclusão de SPSEPRDSetup em Administrators e uso de NetExec. | Escalada de privilégios e movimento lateral | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-29 | Instalação de túnel do VS Code Insiders como serviço. | Persistência e acesso remoto oculto | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-31 | Distribuição de a.exe para matar AV e EDR. | Neutralização de defesas | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-31 | Aparição de run.exe, rune.exe e nota de resgate. | Implantação do ransomware Warlock | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
| 2026-07-31 | Warlock propagado via SYSVOL. | Replicação entre controladores de domínio | Security.com, Symantec Threat Hunter Team e Carbon Black |
Cadeia de ataque e TTPs
A intrusão mostra uma cadeia coerente de pós-exploração com vários objetivos encadeados. Primeiro, a entrada no SharePoint local. Depois, a extração de segredos da farm, em especial as chaves de máquina ASP.NET, que permitiram forjar payloads válidos e contornar controles de integridade. Em seguida, veio a desserialização por meio de System.Workflow.ComponentModel com __VIEWSTATE, uma técnica que habilitou execução de código dentro do application pool do SharePoint.
A partir daí, os atacantes buscaram visibilidade do ambiente. Os comandos net user /domain, whoami e nltest /domain_trusts se encaixam em reconhecimento de domínio e validação de relações de confiança. No mesmo intervalo temporal, foram vistos arquivos de nomes numéricos apagados e binários implantados com nomes como ssvagent.exe, logger.exe, gsdll64.dll.tmp, doexeloc.dll.tmp, doexe.exe e doexeloc.dll. A sequência sugere staging e preparação de componentes auxiliares antes das fases mais agressivas.
A instalação do túnel do Visual Studio Code Insiders como serviço, em 29 de julho, é um elemento especialmente útil para defesa. A própria fonte o interpreta como persistência e acesso remoto oculto. Em termos operacionais, o atacante não dependia apenas de shells web ou credenciais expostas, mas incorporou um caminho que pode sobreviver a reinícios e ocultar tráfego sob um produto legítimo de desenvolvimento. Essa combinação dificulta a detecção baseada em assinaturas simples.
A desativação das proteções veio em seguida. Em 31 de julho, foi distribuído a.exe a partir de um compartilhamento interno e ele foi executado em pelo menos 40 hosts em aproximadamente duas horas. A fonte o descreve como ferramenta para encerrar processos de antivírus e EDR. Em paralelo, foi documentado abuso de K7RKScan como técnica BYOVD. O uso de um driver assinado, mas vulnerável, eleva a complexidade da detecção porque a atividade maliciosa acontece em nível de kernel e pode contornar controles em espaço de usuário.
O estágio final do ransomware foi rápido. No mesmo 31 de julho, surgiram run.exe, rune.exe e a nota how to restore your files.txt. Symantec e Carbon Black registraram Warlock em pelo menos 33 hosts depois que as proteções foram desativadas. Além disso, o ransomware foi colocado em SYSVOL, que se replica entre controladores de domínio e é legível em todo o domínio, o que permite expansão em grande escala sem copiar o binário host a host. Em três hosts adicionais, dfsrs.exe apareceu como processo pai da entrega de run.exe e rune.exe, compatível com distribuição por replicação normal de SYSVOL.
| TTP | Descrição | Fonte |
|---|---|---|
| Exploração de SharePoint local | Entrada provável por vulnerabilidades de SharePoint on-premises, associadas pela fonte à ToolShell. | Security.com |
| Web shell | Web shell em LAYOUTS, compatível com várias versões do SharePoint. | Security.com |
| Roubo de chaves ASP.NET | Obtenção de machine keys da farm SharePoint para forjar payloads assinados. | Security.com |
| Desserialização ViewState | Uso de System.Workflow.ComponentModel e payload __VIEWSTATE para obter execução de código. | Security.com |
| Reconhecimento de domínio | net user /domain, whoami e nltest /domain_trusts. | Security.com |
| Download de payloads | msiexec para obter três MSI de catbox.moe e wasabisys.com. | Security.com |
| Movimento lateral e enumeração | NetExec para Active Directory, credential spraying e execução remota. | Security.com |
| Persistência | Túnel do Visual Studio Code Insiders como serviço. | Security.com |
| Evasão de defesa | a.exe, além de BYOVD com K7RKScan. | Security.com |
| Propagação | Armazenamento do ransomware em SYSVOL e entrega replicada. | Security.com |
Impacto regional
A fonte permite traçar o alcance geográfico, mas não identificar uma vítima latino-americana concreta. A campanha recente afetou, segundo Symantec e Carbon Black, ao menos quatro organizações em países de língua portuguesa e espanhola da Europa, da África e da América Latina. Esse enquadramento regional é suficiente para falar em exposição ampla, embora não para atribuir país ou empresa a uma das vítimas.
Panorama regional
O ponto mais importante é a diferença entre presença regional e vitimização individual. A nota principal cita o Brasil como país onde o Warlock já havia sido observado antes, mas não como destino confirmado da leva recente. Na prática, isso impede afirmar que uma empresa brasileira, argentina, chilena, mexicana ou de outro país latino-americano tenha sido uma das quatro vítimas reconstruídas por Symantec e Carbon Black.
A leitura setorial, porém, é clara. Houve uma empresa de água e um provedor de telecomunicações, ambos descritos como operadores de infraestrutura crítica, além de um órgão governamental regional e uma universidade. A mistura de setores aponta para oportunidade tática, não para um único vertical. Também mostra que o Warlock não se limita a alvos de grande visibilidade financeira, ele transita com facilidade entre serviços essenciais, setor público e academia.
A atribuição geográfica agregada também explica por que os nomes dos países não foram publicados. A própria fonte preserva o anonimato das vítimas. A Security Affairs depois reproduziu que o Brasil aparece entre os países atingidos por atividade prévia do Warlock, mas reiterou que as quatro vítimas do período recente foram descritas por setor e região, sem identificação pública por país ou organização. Essa cautela é coerente com o material primário.
Brasil
O Brasil é o único país latino-americano mencionado nominalmente na fonte principal, mas não como vítima da campanha recente. Symantec e Carbon Black o listam ao lado de Estados Unidos, Índia, Rússia, Taiwan e Japão como locais onde já havia sido observada atividade prévia do Warlock. A cobertura independente da Security Affairs repete essa leitura e ressalta que as vítimas recentes foram descritas por setor e região, não por país.
Isso significa que não há base para afirmar uma afetação brasileira concreta dentro da leva analisada. Há, sim, base para sustentar que o país está no mapa histórico de observação do ator e que a campanha recente teve alcance em regiões de língua portuguesa e espanhola, o que mantém o Brasil dentro da zona de risco analítica. A fonte não informa nomes de organizações nem quantifica vítimas brasileiras.
Estados Unidos
O material disponível não identifica uma vítima americana na campanha analisada. A única referência concreta vem de uma fonte secundária, que afirma que organizações dos Estados Unidos estiveram entre vítimas anteriores do Warlock, mas sem apresentar organização, estado, data de intrusão nem evidência primária que conecte esses casos à operação de julho a outubro de 2026. Por isso, o informe não os trata como parte verificada da campanha reconstruída.
O que fica confirmado é que a Symantec já havia observado atividade prévia do Warlock contra organizações dos Estados Unidos, mas esse dado funciona como antecedente histórico, não como identificação de uma vítima recente. O corpo do informe deve ser lido sob essa restrição. Não há base verificável para uma atribuição país por país além da geografia agregada já mencionada.
Países sem cobertura verificável específica no research para esta campanha, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, México e Uruguai.
Indicadores técnicos
| Tipo | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Domínio | litter[.]catbox[.]moe | Security.com |
| Domínio | xn8xyt-drop[.]s3[.]wasabisys[.]com | Security.com |
| Arquivo | run.exe | Security.com |
| Arquivo | rune.exe | Security.com |
| Arquivo | how to restore your files.txt | Security.com |
| Arquivo | a.exe | Security.com |
| Arquivo | ssvagent.exe | Security.com |
| Arquivo | logger.exe | Security.com |
| Arquivo | gsdll64.dll.tmp | Security.com |
| Arquivo | doexeloc.dll.tmp | Security.com |
| Arquivo | doexe.exe | Security.com |
| Arquivo | doexeloc.dll | Security.com |
| Arquivo | K7RKScan | Security.com |
A fonte também publica hashes associados a amostras de Warlock, DLLs maliciosas, arquivos suspeitos, um terminador de AV e EDR e um driver vulnerável. Como eles não foram listados de forma íntegra no material consolidado, este informe não os reproduz para evitar erros.
Análise para equipes de segurança
A prioridade imediata para defensores é revisar ambientes SharePoint locais, especialmente se ficaram fora dos ciclos de correção ou mitigação ligados ao ToolShell. O material descreve uma cadeia em que a entrada inicial não foi o único problema. Depois de obter as machine keys, o atacante pôde assinar payloads válidos, explorar desserialização e operar dentro do application pool. Isso significa que um web shell isolado não explica sozinho o risco, o roubo de segredos da farm muda a gravidade do incidente.
A telemetria de PowerShell e de msiexec merece revisão histórica. Os comandos codificados em Base64, o carregamento de System.Workflow.ComponentModel e o download de MSI de catbox.moe e wasabisys.com são sinais acionáveis. Se uma organização vir msiexec invocando URLs ou domínios de download inesperados, ou PowerShell carregando assemblies pouco comuns em um ambiente de SharePoint, a resposta deve priorizar contenção, revisão de persistências e busca por credenciais ou segredos expostos.
Também convém procurar abuso de contas de serviço e alterações em grupos locais Administrators. Na intrusão documentada, SPSEPRDSetup foi adicionada repetidamente a Administrators em três máquinas. Isso, combinado com NetExec para enumeração de AD, spraying e execução remota, indica que o ator tentou se mover rapidamente após consolidar o acesso. Um controle eficaz não se limita a bloquear um hash, ele detecta padrões de administração anômalos, mudanças de membresia local e execuções remotas a partir de hosts incomuns.
O túnel do Visual Studio Code Insiders como serviço é outro indicador de persistência que merece alertas específicos. code-insiders.exe tunnel service install --accept-server-license-terms não é um comando esperado na maioria dos ambientes corporativos. Se aparecer em logs de endpoint, EDR ou administração remota, ele deve ser tratado como mecanismo de acesso encoberto até prova em contrário. A mesma lógica vale para o uso de BYOVD. Um driver assinado não é benigno por definição; K7RKScan aparece na fonte como abuso de um driver vulnerável para encerrar processos de segurança em nível de kernel.
Na contenção, a distribuição via SYSVOL exige revisão de controladores de domínio, replicação DFSR e qualquer script de logon ou objeto de Diretiva de Grupo que possa herdar binários maliciosos. A fonte, além disso, indica que dfsrs.exe apareceu como processo pai da entrega em três hosts adicionais. Isso sugere que uma detecção pontual no endpoint não basta. Se o SYSVOL foi usado como canal, a prioridade passa a ser cortar a replicação maliciosa, revisar o conteúdo replicado e validar quais outras estações podem ter executado o payload a partir do domínio.
Perguntas frequentes
O que este relatório indica sobre a exposição do SharePoint local e o alcance regional do Warlock?
O relatório mostra que o Warlock explorou, segundo a fonte, uma intrusão em SharePoint local para avançar até a implantação de ransomware, e que o impacto recente se espalhou por organizações de países lusófonos e hispanofalantes da Europa, da África e da América Latina. Ele não identifica uma vítima latino-americana concreta, embora o Brasil apareça no histórico prévio do ator.
Qual é a relação entre ToolShell, as chaves ASP.NET e o ransomware final?
A fonte vincula a entrada inicial à cadeia ToolShell e depois descreve o roubo de chaves de máquina ASP.NET da farm SharePoint. Com essas chaves, os atacantes puderam forjar payloads assinados e usar desserialização com __VIEWSTATE para executar código. Essa sequência conecta o acesso inicial à etapa anterior ao disparo do Warlock.
Por que a instalação do túnel do Visual Studio Code Insiders preocupa tanto quanto o ransomware?
Porque não foi apenas mais um binário, e sim um serviço instalado com code-insiders.exe tunnel service install --accept-server-license-terms, que a Symantec descreve como persistência e acesso remoto encoberto. A combinação desse túnel com NetExec, novas membresias administrativas e SYSVOL sugere controle sustentado do domínio antes da criptografia.
Quais técnicas de evasão e propagação tornaram a intrusão mais difícil de conter?
A operação combinou a.exe para encerrar processos de antivírus e EDR, abuso de K7RKScan como BYOVD e armazenamento do Warlock em SYSVOL para aproveitar a replicação do domínio. Isso junta evasão no endpoint com propagação em nível de controladores de domínio. A seção Cadeia de ataque e TTPs resume essa sequência técnica.
Quais países da América Latina ficaram efetivamente confirmados na campanha recente?
Nenhum ficou confirmado de forma individual na campanha recente. O relatório só pode afirmar que as vítimas recentes estavam, de forma agregada, em países de língua portuguesa e espanhola da Europa, da África e da América Latina. O Brasil aparece na fonte como antecedente de atividade prévia do Warlock, não como vítima identificada desta leva.
Limitações do material
O material consolidado não publica o nome nem o país de nenhuma das quatro organizações recentes, por isso este informe não pode atribuir uma vítima concreta ao Brasil nem a outro país latino-americano. Ele também não reproduz os hashes completos publicados pela fonte principal, porque o research os resume sem listá-los integralmente. No plano técnico, a fonte considera provável o uso de exploração de SharePoint local como vetor inicial, mas essa probabilidade não se transforma em certeza absoluta sobre cada vítima. A identidade exata do controlador vulnerável usado na intrusão detalhada também permaneceu sem determinação.
Fontes
- Warlock Exploits SharePoint Flaws to Disable Security Tools and Deploy Ransomwarethehackernews.com· The Hacker News
- Warlock ransomware used in attacks on critical infrastructuretherecord.media· The Record
- CVE-2025-53770 SharePoint ToolShell Explainedbrandefense.io· Brandefense
- Warlock Ransomware Still Exploits Year-Old SharePoint Flaws to Hit Critical Infrastructuresecurityaffairs.com· Security Affairs
- Warlock ransomware group hits water and telecom operatorscisovoice.com· CISO Voice
- Descripción de la actualización de seguridad para SharePoint Server Edición de Suscripción: 11 de agosto de 2026 (KB5002893)support.microsoft.com· Microsoft Support
- Warlock Ransomware Hits Water, Telecom via SharePoint Flawsprotect.computer· Protect Computer
- October 2026 Security Updatemicrosoft.com· Microsoft Security Response Center
- SharePoint Server exploitationsecpro.substack.com· SecPro
- Warlock Ransomware Hits Water Utility Among Spanish and Portuguese-Speaking Targetswaterisac.org· WaterISAC
- Warlock Ransomware Attackers Hit Water and Telecom Operatorssecurity.com· Security.com / Symantec Threat Hunter Team y Carbon Black
- Warlock ransomware breach SharePoint in water, telecom operator attacksbleepingcomputer.com· BleepingComputer
- SharePoint ToolShell attacks: incident profilebrandefense.io· Brandefense
- Warlock Ransomware Still Exploits Year-Old SharePoint Flaws to Hit Critical Infrastructuresecpod.com· SecPod



